No sábado, quando o CPM 22 subir ao palco do Praia Skol, no Recinto Mello Moraes, vai ser hora de pogar com os pés na areia e, quem sabe, arriscar um mosh. Não entendeu? Então alguém está precisando escutar mais o som hardcore que uma geração toda de bandas brasileiras vêm tirando das garagens e colocando nas rádios, TVs e ouvidos. Aí sim, vai ser possível dançar e pular junto com todo o público, esbarrando sem machucar em quem estiver do lado e até pular do palco para os braços da galera.
Mais de um ano depois de seu último show na cidade, os paulistanos Badaui (voz), Wally (guitarra e voz), Luciano (guitarra) e Ricardo Japinha (bateria e voz) retornam com a turnê “Felicidade Instantânea”, homônima do terceiro disco da banda, lançado no primeiro semestre. Entre agruras, amores, revoltas, descrenças e urgências, eles mostram como som do CPM evoluiu e se tornou referência em uma cena que cresce a cada dia.
No set list do show, o público pode esperar músicas novas, como “Apostas & Certezas”, “Depois do Fim” e “Não Vá Embora”, os sucessos do último disco “Um Minuto para o Fim do Mundo” e “Irreversível”, além de outros hits da carreira da banda, como “Tarde de Outubro”, “O Mundo Dá Voltas” e “Não Sei Viver Sem Ter Você”.
JC Cultura - Como está a turnê nova que vocês vão trazer a Bauru?
Badaui - Estamos fazendo o show da turnê “Felicidade Instantânea”, é praticamente o disco novo inteiro e mais as músicas conhecidas e de repente alguma cover. Como já trabalhamos várias músicas dos discos anteriores, tem várias músicas mais antigas. Dá uma média de 25 músicas mais ou menos. Não perdemos muito tempo no show, é basicamente com as músicas, sem muita enrolação.
JC Cultura - O último disco da banda parece ser mais agressivo e questionador. Você concorda?
Badaui - Acho que continuamos escrevendo sobre as mesmas coisas mas o tempo passou. É uma evolução natural. É uma forma de escrever não muito diferente, mas entendido de outra forma. É o mesmo CPM de sempre. A gente chegou a trabalhar algumas músicas que foram escritas muito antes de lançar o disco pela gravadora, como “O Mundo Dá Voltas” e “Regina Let’s Go”, que são mais simples - não que o disco novo não tenha músicas simples. É essa basicamente a diferença. Muita gente não enxerga essa diferença de tempo mas a banda sabe disso.
JC Cultura - Vocês foram a primeira banda dessa cena hardcore dos últimos anos a assinar com gravadora. Vocês se consideram defensores dessa geração?
Badaui - A gente nunca fez parte de movimento nenhum. Só fazemos parte de uma geração de bandas que consideramos legais, e umas estão aparecendo mais, como o Dead Fish, e outras, menos, como o Garage Fuzz. Todas têm seu público fiel e fazem shows legais. A gente nunca se considerou punk, em termos de som. Todo mundo precisa ser meio punk para encarar esse dia-a-dia louco que a gente vive. Mas o som que a gente faz é fruto de uma evolução do próprio rock. São quatro ou cinco acordes que a gente usa, igual ao que era feito antigamente, só que mais acelerado. Não apenas nós, mas várias outras bandas que, de repente, nem abordam letras mais agressivas ou com assuntos polêmicos. É a geração fruto de uma evolução do rock, não precisa defender ou levantar bandeira. Temos essa levada considerada hardcore ou punk rock para expressar o que a gente sente no dia-a-dia, da forma que achamos melhor.
JC Cultura - Vocês devem lançar um DVD agora no final do ano, não?
Badaui - Olha, ele está muito legal. É um trabalho que todas as bandas deveriam ter. A gente filmou dois anos das turnês. Foi difícil separar meia hora ou 40 minutos de imagens, tanto que o DVD ficou bem “clipado”, não ficou muito preso. Além das cenas de estrada e bastidores em geral, quisemos colocar cenas de estúdio, da gravação do “Felicidade Instantânea”, mas nada formal, com música por música. É misturado nesse contexto todo com coisas da turnê, da pré-produção, da gravação, com músicas do disco novo e ainda um ensaio para a turnê, com 11 músicas do “Felicidade”, totalmente informal. A gente pensou totalmente no fã para o DVD, não pensamos em mais nada.
JC Cultura - Vocês são uma das bandas mais bem sucedidas e adoradas no rock nacional atualmente. Esse sucesso e a adoração dos fãs assusta?
Badaui - Hoje em dia, é difícil falar em se assustar com sucesso. A gente já apareceu tanto, até em programas populares, e depois que fomos na Globo, nosso público triplicou. O som que a gente faz é hostilizado, para bandas que assinam com gravadoras, isso acontece mundialmente. Nossa preocupação, ao invés de massificar o som que pretendíamos fazer e fazemos, é de trazer pessoas que nem sabem que isso existe a conhecer não só a gente, mas várias outras bandas. Sempre tem uma coisa ou outra que não é 100% que você quer fazer, mas a partir do momento em que encara profissionalmente, é obrigado a abrir a cabeça e ceder.
• Serviço
Praia Skol, no sábado a partir das 14h, no Recinto Mello Moraes, apenas para maiores de 18 anos. Ingressos a R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia entrada), à venda na Chilli Beans (Bauru Shopping), postos Flag e Redsurf. Informações: (11) 2191-6900 e www.skol.com.br.