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Caso Celso Daniel: Sombra tem dificuldade de se defender na CPI

Folhapress
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Brasília - Acusado pelo Ministério Publico de ser o mandante do assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel em janeiro de 2002, o empresário Sérgio Gomes da Silva, conhecido como Sombra, teve dificuldades ontem para se defender na CPI dos Bingos da acusação de participação num esquema de extorsão de donos de empresas de ônibus da cidade.

Entre as provas contra ele estão os recibos de quatro depósitos feitos na sua conta no Banespa, em outubro e novembro de 1997, pelo dono da Viação Expresso Guarará, Luiz Alberto Gabrilli.

"Acho que ele se enganou, pode ter feito um pagamento cruzado por engano", disse Sérgio Sombra, ao tentar explicar os depósitos. Ele afirmou acreditar que o dinheiro tenha sido depositado pelo empresário Ronan Maria Pinto, a quem prestava serviço de segurança. "Não sei como esse dinheiro entrou na minha conta", insistiu. O relator Garibaldi Alves (PMDB-RN) perguntou se ele tinha explicação para outro depósito, de R$ 100 mil, feito em sua conta por outra empresa de ônibus e não declarado à Receita Federal. O depoente disse que não se lembrava.

Durante todo o depoimento, os senadores deixaram claro que não estavam acreditando em Sérgio Sombra. Seu "desconhecimento" sobre depósitos recebidos em sua conta se manteve quando o presidente da comissão, Efraim Morais (PFL-PB), relacionou uma relação de depositantes, identificados pela quebra de seu sigilo bancário. Ele tampouco soube explicar as contradições identificadas no momento do seqüestro de Celso Daniel. Não soube dizer porque não foi levado pelos bandidos, já que era quem conduzia o veículo Pajero blindado, e nem porque pôde manter intactos a sua arma e o telefone celular. Outra duvida é por que ele abriu a porta do veículo, mesmo já tendo trabalhado como segurança de Celso Daniel.

O depoente ficou irritado quando o senador Magno Malta (PL-ES) perguntou se ele se sentiu "aliviado, feliz" ao final do seqüestro por ter sido poupado. "Eu fui vítima, sim senhor. Eu sou vítima", assegurou Sérgio Sombra. Para explicar sua falta de reação quando do seqüestro, disse que estava "nervoso, apavorado", tentando ligar para o 190 para pedir socorro.

Sérgio Sombra ficou preso de dezembro de 2003 a junho do ano passado. Ganhou a liberdade graças à liminar concedida pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Nelson Jobim. O empresário tentou obter outra liminar do STF, desta vez para não atender à convocação da CPI, mas o ministro Marco Aurélio Mello negou o pedido, autorizando-o apenas recorrer aos conselhos de advogados durante o depoimento.

Ontem também falaram à CPI o empresário Ronan Maria Pinto, acusado pelo Ministério Público de participar de um esquema de corrupção em Santo André e o ex-secretário de Serviços Urbanos da prefeitura Klinger de Oliveira Souza. Os dois negaram a existência de um esquema de propina na prefeitura de Santo André. Klinger ainda confirmou ter havido “pressão”, vinda “de amigos de Celso Daniel”, nas investigações da polícia para que ela não “politizasse” o caso.

Ronan, além de negar ter pago propina à prefeitura, também disse nunca ter feito doação a campanhas políticas nem ter sido procurado para isso. "Nunca recebi pedidos de contribuição para campanhas em nenhuma cidade em que trabalhei", disse Ronan.

"O senhor não dar dinheiro até podemos crer, mas, como empresário de ônibus, ninguém lhe pedir, aí fica difícil de acreditar", retrucou o senador José Jorge (PFL-PE), arrancando risos. Sérgio e Ronan foram sócios em pelo menos três empresas de ônibus, além de compartilharem propriedades imobiliárias em Santo André. Todas as sociedades foram desfeitas, a última delas em março de 2003.

Ontem, durante seu depoimento, o empresário afirmou, em várias ocasiões, que não era amigo pessoal de Sérgio, mas logo se contradisse. "Nos conhecemos e logo em seguida ficamos sócios", relatou. Ronan afirmou que Sérgio participou das sociedades com investimento de capital, mas não soube precisar quanto. Questionado sobre depósitos de Luiz Alberto Gabrilli, dono de empresa de ônibus em Santo André, na conta de Sérgio, Ronan disse não saber do que se tratava. Para o Ministério Público, esses depósitos fazem parte do esquema de cobrança de propina.

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