Oficialmente, a partir da próxima sexta-feira, a Maternidade Santa Isabel retomará o alojamento materno. Por meio dele, o tradicional berçário será substituído pelo colo da mãe. É ela quem permanecerá com o bebê sadio, logo após seu nascimento.
“Ele receberá os primeiros cuidados, passará pela avaliação médica, higienização. Uma ou duas horas depois (do parto), ficará com a mãe. O berçário vai continuar para bebês que precisam de atendimento especial, que nasceram com alguma patologiaâ€, explica Reinaldo Rocha, superintendente da Associação Hospitalar de Bauru (AHB) - entidade que administra a maternidade e os hospitais de Base e Manoel de Abreu.
De acordo com Rocha, a instituição não desembolsou recursos para implementar o alojamento materno, iniciativa interrompida por cerca de quatro anos. Os 25 berços dispostos ao lado dos leitos das mães já haviam sido comprados. “Também instalamos um lavatório específico de inox para o bebê. A estrutura já estava pronta. O parto normalmente é só alegria, mas existe uma tensão natural. Tem que ser o mais humanizado possívelâ€, explica.
O superintendente ressalta ainda outras vantagens obtidas com o procedimento como a apego natural entre mãe e filho e o incentivo ao aleitamento materno. “Nós somos mamíferos e a primeira coisa que o animal faz (após nascer) é mamar. Os estímulos da procura e da sucção estão aguçados (logo após o parto). Depois dessa hora, o bebê fica em estado de repousoâ€, informa Maria Nereida Panichi, coordenadora do Banco de Leite Humano, órgão da Secretaria Municipal de Saúde.
Ela esclarece que, nos hospitais onde não há o alojamento materno, o bebê “visita†a mãe no quarto, em média, de três em três horas para “pegar o peitoâ€. Mas justamente neste momento, pode ocorrer dele não estar com fome. O desejo de mamar, no entanto, pode ser despertado no berçário. Neste caso, ele é saciado com mamadeira. A informação foi confirmada na própria maternidade, que espera reverter a situação.
Até ontem à tarde, por exemplo, Alice Cristina só havia mamado no peito da mãe, Silvana Aparecida Mariano. “Achei ótimo o bercinho. Aproxima mais a gente. Ela nasceu ontem (anteontem). Só de encostar no rostinho, ela sente a presença, carinho. Está mais calma do que eu imaginava. Quando fica no berçário, ficamos ansiosasâ€, conta, ao lado do marido Sidinei Aparecido Pereira.
Mãe de outros três filhos, Silvana lembra que apenas um ficou ao seu lado na maternidade. Ela só coloca Alice no berço quando a menina dorme.
Alojamento materno
Embora o alojamento materno tenha sido retomado apenas agora pela Maternidade Santa Isabel, há mais de uma década ele consta entre as diretrizes do Ministério da Saúde para estimular o aleitamento nos hospitais.
Em 1990, o Brasil assinou um código de conduta instituído pela Declaração de Innocenti. Por meio dela, representantes de organizações governamentais e não-governamentais de vários países reconheceram a importância do aleitamento materno.
A partir daí criou-se o conceito de Hospital Amigo da Criança, concedido às instituições que respeitam dez medidas de incentivo, entre elas o alojamento materno. Embora a Maternidade Santa Isabel esteja atrasada no processo, tem adotado medidas recentes para humanizar o atendimento das parturientes. Conforme o JC divulgou, desde segunda-feira, mulheres internadas para dar à luz podem levar uma acompanhante.