O ser humano é realmente um animal muito espaçoso. Com a promessa do desenvolvimento, ele cortou árvores, contaminou rios, poluiu o ar e acabou com o habitat de milhares de seres vivos, muitas vezes sem refletir se aquilo não seria importante no futuro.
O homem construiu barragens, prédios, pontes, fábricas, desenvolveu sua tecnologia até conseguir extrair petróleo das profundezas do mar. Mudou o curso de rios, jogou gases na atmosfera, cortou, furou, estragou. Tudo para buscar o “conforto” das populações, que também aumentam em grande proporção no mundo inteiro.
Em Bauru, algumas iniciativas têm colaborado para a proteger o nosso cerrado, considerado fundamental para preservar a biodiversidade do Planeta. De acordo com estudos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), hoje, em São Paulo, o cerrado ocupa apenas 1% da área do Estado (248,8 mil Km2), mas no passado totalizava 14%. E o problema aumenta se lembrar que, desse total, apenas 18% está em área protegida por 32 unidades de conservação e de reserva legal.
“O problema do cerrado, diferente do que acontece com a Mata Atlântica, que possui leis específicas para protegê-la, é que não existe legislação, por isso é difícil você conseguir evitar um desmatamento em área de cerrado”, explica Ivan Alexandre Ferrazoli de Marche, secretário executivo do Instituto Ambiental Vidágua. Preocupada com as ações de destruição do cerrado para ampliar as áreas de plantio no estado, a organização não-governamental implantou um projeto de conscientização sobre a importância do bioma para o meio ambiente. “Nós produzimos um vídeo e cartilhas voltadas para a criança e o professor para que as pessoas passem a conhecer melhor o cerrado. Este material foi distribuído em Bauru e a proposta é que também chegue a outras regiões do Estado. Agimos procurando incentivar políticas públicas que beneficiem a preservação do que ainda existe e buscar reverter o desmatamento, com o plantio de mudas e sementes. Além de atuarmos com educação ambiental. Acreditamos que a educação pode fazer essa integração”, reforça Marche.
Ele dá como exemplo alguns professores que já deixam de citar elefantes e girafas, animais típicos dó continente africano, para orientar os alunos a partir de espécies brasileiras, principalmente do cerrado. “Nós temos lobo guará, tamanduá, joão de barro, veado catingueiro, tucano, siriema e tantas outras espécies. As aves são responsáveis pela dispersão das sementes”, recorda o ambientalista.