JC Criança

Ações de civis e crianças mudam cenário de Bauru


| Tempo de leitura: 2 min

Uma ação de amor e respeito à natureza pode ser conferida em Bauru, em uma árvore, localizada na avenida Getúlio Vargas, a copaíba. Espécie do cerrado conhecida cientificamente por Copaifera langsdorffii, a árvore, que hoje traz perto de 700 m2 de sobra, quase perdeu a vida e deixou de embelezar a região próxima ao aeroporto.

“Quando começaram a mexer na terra para fazer a duplicação da avenida, a copaíba correu o risco de ser derrubada. Ela também estava com cupim e ficamos bastante preocupados”, recorda o especialista em formigas e cupins Waldomiro Rett, 85 anos. Em sua experiência, ele uniu-se ao amigo Moacir e decidiu se empenhar para salvar a árvore. “Foi quando fizemos uma barragem de madeira e, para acabar com os cupins, fiz uma dendroscopia”, recorda. Rodeado pelas crianças da Emei Wilson Monteiro Bonato, que estavam acompanhadas da professora Laurici Luciano Segura e da assistente Suzel Aparecida Baffe Segura, Rett explica em linguagem simples o que seria uma dendroscopia.

“O cupim vive no escuro e se alimenta de celulose, é como uma cárie na árvore. Aí é preciso fazer uma obturação. Usamos cimento, água e nitrato de prata”, recorda Rett. Ele explica que a copaíba é uma árvore com casca grossa, forte, que seu nome em tupi significa árvore com bálsamo. Ele acha importante conscientizar as crianças. “Dessas crianças sairão os futuros prefeitos, governadores, juízes de direito, professores. É preciso ter pessoas que conheçam a natureza. Rodrigo Agostinho é um grande rapaz, que ajuda muito a natureza”, diz o Waldomiro Rett.

As crianças, atentas a cada novidade, se preparam para enfrentar um desafio com a professora: tentar fazer mudas das sementes que colheram da copaíba. Empolgados, eles recordam alguns ensinamentos do dia. “Não precisa ter medo de sapo, pois ele é importante. O sapo come aleluias que se transformam em cupim. Ele come mais de dois mil besouros por dia”, repetem.

Os alunos também vão fazer um trabalho sobre a água e quando as sementinhas geminarem, o JC Criança espera um alô para que seja publicada a continuidade dessa história que envolve cidadania e amor à natureza.

A copaíba virou um símbolo que agrega vários ambientalistas-mirins. A galerinha do Colégio Guedes de Azevedo também participou ativamente em defesa da árvore. Com o apoio do professor e presidente do Vidágua Roberto Pallotta, a escola adotou a praça e contribui constantemente para sua preservação. Na época da duplicação, em 2004, eles colocaram as mãos na terra, plantaram grama e aproveitaram para curtir a sombra e o ventinho fresco que passa embaixo de suas folhas.

“O vento é sagrado, é quem transporta as sementes. O ciclo é perfeito, mas nós poluimos. A seca, em determinados períodos do ano, é necessária, pois o vento não consegue levar as sementes quando estão molhadas”, finaliza Waldomiro Rett.

Comentários

Comentários