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Morte exige diagnóstico complexo


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Assim que houver a suspeita de morte encefálica, inicia-se os exames para a comprovação. Segundo a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), após o diagnóstico deve ser registrado em prontuário um termo de declaração de morte encefálica, descrevendo os elementos do exame neurológico que demonstram a ausência de reflexos do tronco cerebral e também o relatório de um exame complementar. Assim que as certificações forem concluídas, dois exames neurológicos são feitos para avaliar a integridade do cérebro. Esses exames são realizados por dois médicos, que não fazem parte da equipe de transplante e com um intervalo de tempo que varia conforme a idade do paciente. Após o segundo exame clínico, é realizado ainda um complementar que unifica as ausências de perfusão sangüínea, atividade elétrica e metabólica no cérebro.

Com o diagnóstico da morte encefálica, a família deve ser consultada e orientada sobre o processo de doação. Essa abordagem, segundo Luiz Augusto Pereira, coordenador da Central de Transplantes no Estado é muito delicada, pois na maioria dos casos, a morte encefálica é súbita, ou seja, uma pessoa saudável sofre um traumatismo craniano ou um acidente vascular encefálico de uma hora para outra. “Num momento de emoção intensa, a família tem de tomar essa decisão, por isso a abordagem tem de ser muito cuidadosa e o profissional deve estar capacitado para dar todas as informações possíveis”, explica.

Sobre a rigidez do processo de captação brasileiro, Pereira avalia que as exigências são necessárias para não colocar todo o sistema em risco. “Se houver apenas uma suspeita de que a pessoa não estava realmente com morte encefálica, todo o sistema pode entrar em colapso”, pondera. Para ele todos os exames e constatações são necessários para a segurança da família. “Fala-se que é o processo complexo, mas é para ser mesmo, para não restar dúvidas”, afirma. Sobre o destino dos órgãos, Pereira explica que assim que é feita a captação, a equipe que vai precisar do órgão para o transplante é quem realiza a cirurgia para retirá-lo.

Em Bauru, o Hospital de Base realiza transplante de córneas e de rins e o Estadual, apenas de córneas. No Hospital das Clínicas da Unesp em Botucatu, são feitos transplantes de córneas, pâncreas, rins, fígado, ossos e veias e vasos. Na região não existe um banco de peles, por isso o tecido não é captado para doações na região.

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