Humanizar o atendimento da polícia brasileira é o principal objetivo do projeto Segurança e Educação ao Alcance de Todos (Seat), lançado na última semana pelo Ministério da Justiça. “A idéia é que a população, cada vez mais, tenha a chance de chegar perto da polícia, perca o medo da polícia, que ainda existe, e que a polícia saiba que só terá grandes resultados na luta contra o crime na medida em que estiver aproximada com a população e seja uma espécie de peixe dentro d’água em relação à população brasileiraâ€, afirmou o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos.
Inicialmente, serão oferecidos cursos de direitos humanos e cidadania, isolamento e preservação do local de crime, uso legal da força, atendimento a vítimas de violência, busca e apreensão, saúde mental, lavagem de dinheiro, análise criminal, tráfico de seres humanos e prevenção da criminalidade e da violência. Os profissionais também vão poder fazer cursos supletivos para completar os estudos fundamentais, de informática e de línguas estrangeiras.
Segundo o diretor de Ensino e Pesquisa da Secretaria Nacional de Segurança Pública, Ricardo Balestreri, os cursos terão por base os fundamentos dos direitos humanos. “Pretendemos realizar um grande processo de humanização da polícia brasileira, alçar a polícia brasileira a essa condição de Primeiro Mundo que ela mereceâ€, disse Balestreri.
Para ele, a questão dos direitos humanos é a questão que faz a diferença: “uma mudança de cultura policial, para que realmente a polícia, cada vez mais, seja um serviço de proteção, de guarida, de amparo à população brasileiraâ€.
Educação a distância
Profissionais de segurança pública, entre policiais federais, civis, militares, bombeiros e guardas municipais, poderão, a partir da próxima semana, terminar os estudos e se qualificar ao mesmo tempo. Esse é o objetivo do projeto de educação a distância de policiais Segurança e Educação ao Alcance de Todos (Seat), lançado pelo Ministério da Justiça. O objetivo é formar e capacitar 550 mil profissionais nos primeiros três anos do projeto.
Para atingir essa meta, a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), em parceria com a Academia Nacional de Polícia do Departamento de Polícia Federal (DPF), instalou em todos os Estados 60 telecentros, salas que terão toda a infra-estrutura necessária para a realização de teleconferências, videoconferências, treinamento em computadores e exibição de vídeos e filmes.
“Os policiais são as encarnações da segurança pública no Brasil. Nós temos mais de meio milhão de policiais espalhados pelo Brasil, todos eles vão poder se beneficiar dessa constante melhora e aperfeiçoamento nas suas ferramentas de trabalho e nas suas possibilidades de fazer um trabalho inteligente, que respeite os direitos humanos, respeite o estado de direito e, ao mesmo tempo, seja eficiente na perseguição penalâ€, destacou Bastos.
Ricardo Balestreri, explicou que serão utilizadas novas tecnologias aplicadas à educação no treinamento dos policiais. “Nós queremos trabalhar pela via web e trabalhar pela via televisiva, produzindo dois tipos de programação, uma programação mais específica para sala de aula e também uma programação mais lúdica, mais palatável para o conjunto da população, porque a intenção é não ficar exclusivamente no público policial, mas expandir essa programação também para a rede de televisões públicas brasileirasâ€, informou.
O governo investiu aproximadamente R$ 12 milhões na aquisição e implantação dos equipamentos que serão utilizados para o treinamento dos policiais, para as instituições parceiras e para a comunidade. As inscrições para os cursos já estão disponíveis na internet, na página eletrônica www.mj.gov.br/seat. Os interessados devem preencher a ficha de inscrição e indicar o curso que pretendem fazer. Os pedidos serão analisados e, se aprovados, encaminhados para matrícula.
*Irene Lôbo