Regional

Informais buscam formalidade

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

Ibitinga – A cada final de semana a “Feirinha” do bordado junta aproximadamente mil expositores que criam as mais incríveis peças que não estão no portifólio de produtos das grandes indústrias do bordado de Ibitinga (veja infográfico nesta página). A feira ocorre aos sábados, quando a cidade é invadida por 150 ônibus lotados de turistas que querem comprar no comércio da cidade. O presidente da Associação do Comércio Ambulante em Produtos Artesanais ou Semi-Industrializados (Aeti), José Geraldo de Brito, conta que no período de festa de final de ano o movimento aumenta, indo até o dia 20 de dezembro, e volta a crescer em janeiro, quando os lojistas iniciam reposição. Conforme Brito, a “Feirinha” conta hoje com 750 expositores cadastrados, dos quais cerca de 200 são associados à Aeti. Depois de 15 anos de feira, o nível de organização vem crescendo com a padronização das barracas, proposta que conta com adesão de 50 comerciantes informais.

A informalidade dos artesãos de Ibitinga difere dos comerciantes informais que ocupam ruas de outras cidades. Brito explica que o pessoal cria peças produzidas artesanalmente por famílias em oficinas de fundo de quintal. Ele ressalta que enquanto trabalha em uma empresa da cidade, sua esposa está costurando para vender os artigos no sábado. “Depois do expediente, me junto a ela e aos filhos para produzir”, acrescenta. Esse modelo é adotado pela maioria dos informais da “Feirinha”. Lá, a clientela encontra centro de mesa, toalhinhas, pano de prato, bichinhos, pesos de porta em formatos diferentes. “Nosso informal é feito por famílias que buscam complementar sua renda”, explica. A proposta da Aeti, que existe há dois anos, é transformar os informais em pequenos e médios empresários. “Temos idéias e fazemos intercâmbio com o pessoal de Embu das Artes. Os informais têm criatividade, mas falta informação e organização”, ressalta.

Conforme o prefeito Florisvaldo Antônio Fiorentino (PSDB), a administração trabalha para apoiar a indústria familiar, pequenas e médias empresas. O prefeito contará com um orçamento em 2006 estimado em R$ 37 milhões, menor que os R$ 39 milhões deste ano. Para implementar a economia do município, a administração aposta na execução de Arranjos Produtivos Locais (APL). O projeto foi iniciado em 2004 e está na segunda fase. A curto prazo, a nova etapa do projeto pretende reduzir custos, melhorar a gestão e a qualidade das empresas. A longo prazo, a APL pretende transformar a Estância Turística de Ibitinga em referência no mercado, com visibilidade, reputação e marca consolidadas.

Comunidade

Uma das iniciativas do município foi aglutinar em um mesmo prédio o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente; o Conselho Municipal do Idoso; o Conselho Tutelar da Estância Turística de Ibitinga e o Centro de Recuperação e Inserção do Adolescente para a Recondução ao Trabalho e à Educação (Criarte). Todos os conselhos funcionam no “Centro Comunitário Francisca Maria do Espírito Santo - Chiquinha Pinheiro”, na rua Treze de Maio, número 319. O prédio reformado possui 370 metros quadrados de área, divididos em sala de recepção, salas para funcionamento de cada entidade, cozinha, um refeitório, sanitários e palco.

O Criarte já atende 50 crianças com reforço escolar e cursos de artesanato. Em janeiro, começam cursos de informática. O projeto pretende ainda desenvolver canteiro de mudas, reciclagem de material, atividades esportivas e cursos de culinária. A ampliação será feita no espaço do clube de futebol Rio Branco.

Fundada no ano de 2000, a Criarte é uma iniciativa da Juíza da Infância e Juventude e Promotor Público da Comarca. Trabalha na prevenção, recuperação e reinserção social da criança e do adolescente. Também atua com famíliares em atividades específicas.

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