Ser

Sinais de alerta

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 2 min

Se praticadas de vez em quando e seguidas de sentimentos de culpa ou arrependimento, as pequenas maldades infantis podem ser consideradas típicas da infância. Mas o quadro se torna patológico quando as atitudes são freqüentes e encaradas de forma indiferente pela crianças, explica o neuropediatra Plínio Ferraz.

Denominado transtorno ou distúrbio de conduta, esse tipo de comportamento necessita de tratamento médico e psicológico. “Nesses casos, a criança faz inúmeras maldades e quando é chamada atenção, seja na escola ou em casa, não demonstra a mínima culpa. Aí é um sinal de alerta”, diz.

Apesar do transtorno de conduta existir desde o século passado, seu diagnóstico é novo dentro da neuropediatria, aponta Ferraz. Segundo o especialista, sua causa é indeterminada e pode estar ligada a componentes genéticos ou ao contexto familiar. Há casos ainda em que ambos os fatores não interferem no distúrbio.

“A personalidade da criança só é formada a partir dos 18 anos. No adulto, um transtorno semelhante é chamado de transtorno de personalidade ou personalidade anti-social”, detalha o especialista.

O transtorno é mais freqüente entre os meninos, que têm mais tendência à hiperatividade e agressividade do que as garotas, aponta Ferraz. Alessandro*, 7 anos, possui sintomas parecidos, conta sua mãe, a representante de vendas Amanda*.

Segundo ela, seu filho é hiperativo e há alguns anos tinha muitas dificuldades no aprendizado em sala de aula e não conseguia se socializar com os coleguinhas. Em casa, era extremamente agitado e fazia inúmeras “artes”. Quando repreendido, ficava um pouco agressivo.

“Ele não entendia a palavra ‘não’. Não tinha limites”, revela Amanda, que ao perceber o problema procurou ajuda especializada. Atualmente, Alessandro toma medicamentos específicos e faz psicoterapia individual e familiar – procedimento indicado por Ferraz.

Segundo o neuropediatra, embora ainda não tenha cura, o transtorno pode ser controlado com ajuda dos pais, de profissionais especializados e também da escola. “Assim como os pais, ela tem um papel fundamental na formação do indivíduo”, ressalta.

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