Cultura

Rock, sem dúvida

Diego Molina
| Tempo de leitura: 2 min

O ano realmente é do rock no Brasil. Depois do TIM Festival, que primou por novos nomes e grandes medalhões, outra operadora de telefonia promove sua festa em São Paulo (no sábado) e no Rio de Janeiro (no domingo). O Claro Que É Rock, na verdade, é mais uma maratona diversificada: começa nos adorados esquisitos Flaming Lips e Sonic Youth, passa pelos temidos Fantomas e Nine Inch Nails e pelo Good Charlotte da garotada, e chega ao ícone máximo do estilo rock’n’roll Iggy Pop, que retorna ao País com os Stooges.

Segundo a organização, serão 12 horas ininterruptas de música na Capital paulista, com reforço de Nação Zumbi e Cachorro Grande e outra dezena de atrações nacionais no palco B. A idéia assemelha-se aos grandes festivais europeus, onde músicos de vertentes diversas dividem espaços, som e público com total democracia.

A escalação é encabeçada pela banda americana Nine Inch Nails, capitaneada pelo produtor, cantor e multi-tudo Trent Reznor. Pela primeira vez no Brasil, o grupo mostra sua interessante, excitante e assustadora fusão pioneira de rock e eletrônica, no show do mais recente disco, o excelente e pop - se é que o adjetivo cabe ao NIN - “With Teeth”, mas não devem faltar os hits. O Sonic Youth é das maiores bandeiras do rock alternativo americano, cada vez mais experimental e dissonante de todo o resto. Surgido em 1981 em Nova York, o grupo de Thurston Moore e Kim Gordon sagrou-se no mundo indie com as guitarras altas e microfonia, e mais de 20 anos depois, ainda se mostra relevante.

O mesmo adjetivo pode ser aplicado ao Flaming Lips. Formado em Oklahoma, o grupo já foi considerado um entre os 50 que se deve ouvir antes de morrer. O som é de experimentações detalhistas e deliciosas melodias pop, que ganham vida nos shows com recursos de projeções e outras surpresas. Outro destaque é a nova banda de Mike Patton (ex-Faith No More), o Fantomas, que traz ao Brasil a turnê de “Suspended Animation”, lançado nesse ano.

O público da MTV e do novo pop rock americano vai gostar do show do Good Charlotte, enquanto os tradicionalistas vão torcer o nariz. No final, vale conferir especialmente porque “The Chronicles of Life and Death” recebeu críticas interessantes na imprensa especializada internacional, assim como as performances ao vivo da banda.

Fecham o line-up Iggy and the Stooges. Quando Iggy Pop, Dave Alexander, Ron e Scott Asheton surgiram, sua música era inclassificável. De toda forma, a ferocidade dos acordes e a crueza das letras não conseguiram superar a figura de Iggy nos palcos, esguio, frenético, jogando-se para a platéia e rolando em cacos de vidro. A organização divulgou que seus pedidos foram uma calça jeans feminina de US$ 7,00, da mais vagabunda, e ausência de firulas na luz e de mesa de som digital para os shows. Vai ser como no princípio: rock e Iggy. Precisa de algo mais?

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