“Pod...o quê? Pode tudo!â€. Esta é a resposta da radialista e tecnóloga em informática, Djaine Damiati, para definir a nova onda do mundo virtual: o podcast. Com ele, é possível produzir programações de rádio, ou divulgar comentários sobre jogos, música e culinária e transmiti-los por todo o mundo.
Embora ainda seja desconhecido por boa parte dos internautas, a definição de podcast é relativamente simples. Trata-se de um arquivo de áudio (normalmente em formato MP3), que pode ser disponibilizado por um site da Internet ou distribuído por um software específico, chamado de agregador.
A tecnologia que permite isso é denominada de Real Simple Syndication (RSS), que coloca as principais notícias do mundo diretamente em seu computador, além de possibilitar que o podcast seja divulgado a outros internautas. O RSS é um sistema de assinatura que automatiza a divulgação de conteúdos de um site para o outro por meio de etiquetas utilizadas em linguagens como HTML ou XML.
O termo podcast surgiu a partir dos iPods, os tocadores de MP3 da Apple que vêm revolucionando o mundo da música digital desde 2001. É uma junção de iPod com broadcast, que, traduzido, significa transmissão de rádio ou TV.
A tecnolgia é creditada ao ex-apresentador da MTV, Adam Curry. Sua idéia era desenvolver um software que transferisse automaticamente conteúdo de áudio para iPod.
Como não dominava muito bem a linguagem de programação, Curry colocou o código do programa em um site e começou a atrair desenvolvedores, que foram aos poucos melhorando o programa. A partir daí, surgiram os primeiros softwares agregadores e, por conseqüência, o fenômeno podcast.
Nova mídia
Uma revolução. O uso do podcast promete reformular os conceitos de comunicação. Para o tecnólogo em informática e organizador da Primeira Conferência Nacional de Podcast (PodCon), Ricardo Macari, o podcast é uma nova ferramenta de marketing e comunicação. “A mídia vai ter que se adaptar a essa tecnologia. Empresas que utilizam o podcast aumentam sua audiência e extrapolam os limites impostos pelos horários e alcance das ondasâ€, afirma.
Para Damiati, com o podcast, assistimos a um regresso à tradição oral. “A informação massificada tem perdido espaço para a comunicação ponto a ponto, em que qualquer pessoa pode transmitir informações ao mundo inteiro sem intermédio de ninguém. É uma democratização da informaçãoâ€, acredita.
Por meio dessa tecnologia, qualquer usuário com acesso à Internet pode se tornar um produtor de podcast, chamado de podcaster, desde que tenha um computador com microfone e saída para áudio. Possibilidade que entusiasmou os participantes da oficina “O Tecido de Sons de Clarice Lispectorâ€, ministrada por Damiati no Serviço Social do Comércio (Sesc) de Bauru no início do mês. Além de divulgar a nova tecnologia, o curso buscou promover a inserção digital dos envolvidos.
“Nunca tinha escutado falar sobre podcast, mas como sou estudante de Letras decidi vim por causa da Clarice Lispector. Agora que estou achando o podcast superinteressante e simples, pretendo trabalhar com ele em escolasâ€, vislumbra Aline Grazielli de Lucci. Na oficina, os participantes produziram um programa de rádio sobre a vida e obra da escritora e utilizaram como meio de pesquisa apenas a Internet. O resultado pode ser conferido no site www.oficinadepod casting.podomatic.com.
Damiati ofereceu o mesmo curso no Sesc de Catanduva e lá o resultado foi ainda mais animador. “O público não tinha o mínimo conhecimento da nova tecnologia e, após a oficina, dispuseram-se a criar um podcast sobre as atividades da unidade do Sesc que está em funcionamentoâ€, entusiasma-se a tecnóloga.