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Desapropriação da estação é adiada

Fábio Marinari
| Tempo de leitura: 6 min

Com boa parte de suas instalações desativadas desde 1996, o prédio da estação da Noroese do Brasil (NOB) se transformou num enorme problema para a administração municipal. Virou vítima de atos de vandalismo e ponto predileto para mendigos e indigentes passarem a noite. Além disso, por estar localizado na região central da cidade, atrapalha o processo de revitalização daquela área.

Consultada pela reportagem do JC, parte esmagadora da população bauruense cobra uma solução urgente para o imóvel.

Em 1999, o governo Nilson Costa estudou a possibilidade de assumir a estação com a pretensão de transferir a sede da prefeitura para o local, no entanto, a iniciativa não vingou mesmo depois de terem sido realizados estudos de adequação por parte da Faculdade de Arquitetura da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru.

Há dois anos, o Grupo Marca também demonstrou interesse pelo prédio. A intenção era implantar um centro comercial, porém, não houve acordo com o Sindicato dos Ferroviários de Bauru, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. O bem está penhorado em favor de 4.200 ferroviários que movem ação trabalhista contra a proprietária da estação, a Rede Ferroviária Federal (RFFSA).

No mês de julho deste ano, o prefeito Tuga Angerami anunciou que tem a pretensão de desapropriar o imóvel para ocupá-lo com boa parte das unidades da Secretaria Municipal da Educação. “Quando o prefeito pensou em adquirir o prédio da NOB, ele percebeu que a Educação precisaria de um espaço para ficar centralizada, pensou na mobilidade e também na revitalização do Centro”, justifica o chefe de Gabinete, Paulo Sérgio Canalli. A idéia era disparar o processo ainda em 2005, mas, segundo Canalli, isso não será mais possível. Agora, a administração trabalha a possibilidade de iniciar a desapropriação a partir de 2006, mas vai depender de como estará o cofre da prefeitura. “Se for bem programado, há condições de adquirir o prédio ainda no início do ano que vem”, prevê o chefe de Gabinete.

Segundo ele, embora a prefeitura esteja passando por dificuldades financeiras, o repasse de 25% do orçamento a que a Secretaria da Educação tem direito poderá ser utilizado na efetivação da desapropriação que deve girar em torno de R$ 3,5 milhões (de acordo com o Sindicato dos Ferroviários esse valor é de aproximadamente R$ 3,7 milhões).

Consultado sobre a questão da compra, o secretário municipal de Finanças, Edmundo Albuquerque, disse que a origem do dinheiro para a compra ainda não foi definida, mas confirmou que existe a possibilidade de também ser utilizado parte do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental (Fundef). Independentemente de onde a verba virá, a secretária municipal da Educação, Ana Maria Daibem, garante que a compra não prejudicará os serviços prestados pelas 14 escolas de ensino fundamental e pelas 60 de educação infantil, além de outros serviços como o Centro de Formação de Adultos e Jovens. Se conseguir o prédio da estação, a pasta da Educação também pretende criar e implantar novos projetos como um centro de formação continuada para os professores e o Estação Ciência, que será direcionado aos alunos das redes estadual e municipal. Até mesmo a abertura de uma creche para atender os filhos dos servidores da prefeitura e trabalhadores da área central não está descartada.

No entanto, mesmo que o município obtenha sucesso no processo de desapropriação, ainda terá que obedecer às normas tanto do Conselho de Defesa de Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat) quanto do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural (Codepac) de Bauru. “Nós vamos preservar o prédio. Será mantida a fachada. Vamos nos instalar sem prejudicar as características arquitetônicas da estação”, finaliza Canalli, confiante na possível aquisição do local.

Fala-povo

O que você acha da intenção da Secretaria Municipal da Educação em ocupar o prédio abandonado da antiga estação da NOB?

“Acho que vai ser bom, principalmente para as pessoas que dependem de ônibus coletivo. Com a Secretaria da Educação aqui vai ficar mais fácil o acesso” Marcos Roberto de Souza Batista, 35 anos, eletricista

“Sou a favor. Isso vem de encontro com a idéia da revitalização da região central e é visto com ótimos olhos pelo comércio como um todo” Francisco Franco de Bernardes, 41 anos, comerciante

“Vai ser bom porque é um ponto turístico da cidade. A pessoa aproveita para resolver questões na Secretaria e já visita o prédio antigo” Fábio Ricardo Escareli, 24 anos, vendedor

“Sinto dó daquele lugar porque é um prédio ferroviário tão bonito. Como está abandonado, acho que tem que ser feito algo logo” Priscila de Oliveira Marcondes, 26 anos, costureira

“Vai ser bom porque o prédio está desocupado e sem utilidade nenhuma. Pelo menos com a Secretaria o local vai servir para alguma coisa” Francine da Cruz Pereira, 18 anos, estudante

“Acho ótimo porque a Secretaria da Educação está toda espalhada pela cidade. Aí vai deixar de ficar cada lugar num canto e vai concentrar tudo na estação” Thalita Franco, 22 anos, estudante

“Qualquer coisa que se faça lá é importante para Bauru, para o povo e para a região central. Desde que seja instalada alguma coisa importante como a Secretaria, vai ser bom” Sérgio Augusto Rossetto, 42 anos, advogado

“Se os funcionários da Secretaria passassem para lá e não ficasse abandonado como está hoje, seria ótimo. Mas, o que vem da prefeitura, hoje em dia, a gente não pode acreditar em nada” Marcos Antônio da Silva, 40 anos, agente de segurança

“Já que está abandonado, acho que vai ser bom. Pelo menos o prédio da estação não fica parado à toa” Ester Rizzo Gritti, 21 anos, funcionária pública

“Ali entra muito bandido porque o prédio está largado. Então, eu acho melhor que ocupem o local logo” Marly Xavier Corrêa, 56 anos, dona de casa

“Vai facilitar mais para a população. Para mim, que moro no Centro, é ridículo ver aquele prédio abandonado” Dalva Maria Garci, 60 anos, dona de casa

“Sou favorável porque é uma forma de revitalizar o Centro. Aí a gente vem revitalizando do início do Calçadão para cá” Tony Tobias, 39 anos, advogado

“Como está parado há muito tempo, qualquer coisa que for feita no local vai ser boa para todo mundo” Conceição Milani, 43 anos, cabeleireira

Com a Secretaria da Educação no Centro da cidade vai ficar melhor para a população ter acesso” Adelci Ferreira, 46 anos, vendedora

“Acredito que seja interessante ocupar esse patrimônio histórico que está há tanto tempo desocupado” Edilson Bataier, 35 anos, engenheiro civil

â€œÉ um modo de ativar o local e, de repente, a prefeitura está pagando aluguel enquanto aquele imóvel está ocioso” Domingos de Moraes, 69 anos, comerciante

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