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Secretaria da Educação tem a mesma estrutura há 20 anos

Fábio Marinari
| Tempo de leitura: 5 min

A possibilidade de transferência de algumas unidades da Secretaria Municipal da Educação para o prédio da antiga estação ferroviária é vista pela responsável da pasta, a professora Ana Maria Daibem, como uma ótima oportunidade para concentrar toda a parte administrativa num só local, facilitando a comunicação interna e contribuindo para uma melhor articulação entre os funcionários. De acordo com ela, a atual estrutura física e organizacional da rede escolar municipal trabalha praticamente nas mesmas condições de um modelo concebido há 20 anos e precisa ser repensada.

Atualmente, o órgão responde por 74 unidades escolares com cerca de 21 mil alunos e quase 1 mil professores. Ao todo, são 1.500 servidores que trabalham na área da Educação, aproximadamente um terço do quadro total de funcionários da prefeitura. “A possibilidade de irmos para o prédio vai nos dar condições necessárias para um trabalho e um atendimento de qualidade para população dos alunos, do corpo docente, dos técnicos e do setor administrativo”, argumenta a secretária.

Segundo ela, a desapropriação e ocupação do prédio da Estação Central é apenas o início de um projeto que deve durar no mínimo 10 anos para se concretizar. Além de abrigar o próprio setor operacional da Secretaria, a intenção é utilizar o imóvel para comportar parte do Centro de Educação de Jovens e Adultos, que possui 53 salas de aula espalhadas pela cidade.

A administração da merenda escolar, que fica no Jardim Redentor, a biblioteca e a oficina pedagógica, que estavam instaladas no antigo Centro de Formação Profissional também deverão ser transferidos com a compra da estação. Em virtude da enorme dimensão do prédio da Rede Ferroviária, outra proposta é a criação e instalação do Centro Municipal de Pesquisa e Formação Continuada, que poderá oferecer cursos de treinamento e reciclagem para o corpo docente da rede. “Segundo um estudo preliminar da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan), esse Centro ocupará o 1º andar do prédio”, explica Daibem que lembra que, normalmente, a Secretaria aguarda o recesso escolar para desenvolver programas de formação de grande porte, pois precisa requisitar o empréstimo de instituições de ensino como a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Instituição Toledo de Ensino (ITE), por exemplo.

Em parceria com universidades locais, a pasta também discute a implantação de um projeto seguindo o modelo do Estação Ciência, desenvolvido pela Universidade de São Paulo (USP). A idéia é disponibilizar um espaço onde possam ser realizadas exposições permanentes abertas à visitação de alunos das escolas municipais e estaduais.

Por fim, a secretária da Educação também pensa na possibilidade de abrir uma creche no prédio da estação ferroviária para atender os servidores da prefeitura e as pessoas que trabalham no Centro. “Temos uma creche do servidor cujo espaço é reduzido, e essa é uma forma que encontramos de ampliar esse espaço aos servidores e à comunidade”, encerra.

Prédio está penhorado

Cobiçado pela atual administração municipal que pretende instalar a Secretaria da Educação no local, o prédio da Estação Central da Noroeste do Brasil (NOB) está avaliado em torno de R$ 3,7 milhões, de acordo com o coordenador do Sindicato dos Ferroviários de Bauru, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, Roque Ferreira. A estimativa, segundo ele, foi feita há cerca de uma ano e meio pela Caixa Econômica Federal (CEF), órgão responsável pela fixação de valores de imóveis em processos de desapropriação.

O prédio pertence a Rede Ferroviária Federal (RFFSA), porém foi penhorado em favor de cerca de 4.200 ferroviários que movem ação trabalhista contra a Rede desde 1991. A dívida gira em torno de R$ 5 a 6 milhões, segundo Ferreira. “Se eventualmente a estação for vendida, os recursos serão retidos em juízo para pagamento de parte dela”, explica.

O fato da prefeitura tentar a desapropriação do imóvel ao invés de negociar diretamente com o Sindicato não incomoda Ferreira, pois ele acredita que esse é um trâmite legal e que a prefeitura tem o direito de usá-lo. “Nosso objetivo é fazer com que os ferroviários recebam aquilo que pertence a eles, como a desapropriação é um recurso viável, nós não vamos nos opor”, diz.

O coordenador do Sindicato aproveita para cobrar maior agilidade por parte do governo municipal. Ele reclama da morosidade nas tomadas de decisões em relação ao que fazer com os imóveis ferroviários que se encontram abandonados e elogia o município de Campinas que, segundo ele, encontrou soluções rápidas para o problemas dos prédios da rede. “Infelizmente, aqui em Bauru, os processos têm sido muito lentos em relação às outras cidades”, compara.

Fala Povo

“Será bom porque irão cuidar melhor da manutenção do prédio. Além disso, é um ponto histórico que deve ser preservado” Angelina Jorge, 18 anos, estudante

“Ouvi essa proposta e acho que vai ser legal porque alguma coisa tem que ser feita com urgência naquela área. Isso ajudaria a revitalizar o Centro” Talita Catelani, 21 anos, estudante

“Vai ser bom porque o prédio é um patrimônio histórico e a ocupação dele vai ajudar a preservar a história da cidade” Carolina Scudeller, 24 anos, estudante

“Com a Secretaria funcionando lá, vai incentivar cada vez mais o progresso da cidade. O Centro de Bauru vai passar a ter uma cara nova” Laís Martins, 21 anos, estudante

“Se ativassem o transporte de passageiros seria melhor, mas, como não é possível, é melhor que seja ocupado pela Secretaria que vai ter mais facilidade para trabalhar” Fernando do Valle, 20 anos, padeiro

“Se comprarem o prédio, pelo menos vai servir para alguma coisa. Não vai ficar inutilizado, pois só serve para indigentes dormirem e marginais usarem drogas” Luciana dos Santos Almeida, 27 anos, cozinheira

“Seria bom se a estação voltasse a funcionar para atender as ferrovias, mas como está abandonado, o que é uma judiação, é melhor passar para a Educação” Fozi José Jorge, 77 anos, agricultor

“Vai ser bom para Bauru e para a comunidade porque eles poderão desenvolver diversas atividades para a população naquele local” Marcos Rogério do Carmo

â€œÉ uma boa idéia passar a Secretaria para lá porque está abandonado demais e tem até mendigo dormindo naquela estação” Éder de Paula Martins, 19 anos, autônomo

“Se funcionar a Secretaria lá vai ficar bom. Afinal, aquele prédio não está sendo utilizado para nada” Carlos Roberto Rodrigues, 24 anos, ajudante de caminhoneiro

“Acho interessante porque o local vai ser reativado e passará a ter bastante movimento” Valdinéia Camargo, 24 anos, estudante

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