Bairros

Mary Dota se mobiliza contra mudança da base Leste da PM

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 4 min

Os moradores do Núcleo Habitacional Mary Dota, além de conviverem com o impasse da ponte Ayrton Senna (interditada desde 2003), perderam temporariamente o pronto-socorro e uma agência bancária. Atualmente, não aceitam mais privações. Unidos, colheram mil assinaturas contrárias a mudança da Base Comunitária Leste da Polícia Militar, situada no bairro.

O órgão será transferido provisoriamente para o Parque São Geraldo, até que um novo prédio seja construído no mesmo endereço, ou seja, na quadra 1 da rua Paulo Fernando de Souza Brandão. “A obra será no mesmo local. O arquiteto vai apresentar o projeto amanhã (hoje) à noite. A frente ficará para a avenida. Será um imóvel de R$ 154 metros quadrados”, explica o comandante interino do 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior-4 (4.º BPMI), major Pedro Batista Lamoso.

Verba

De acordo com ele, o imóvel está orçado em R$ 150 mil e será erguido, inicialmente, com o auxílio da comunidade porque a área ainda não pertence ao Estado. Se as estimativas estiverem corretas a mudança será feita nesta semana e em seis meses o novo prédio será inaugurado. Até lá, a base atenderá na quadra 10 da alameda dos Goivos, no Parque São Geraldo, em imóvel cedido pela iniciativa privada.

“Aqui é muito escuro à noite. Se a base for embora, vai ter assalto e estupro. Vamos tentar trazer até o deputado (estadual) Pedro Tobias (PSDB) (para a reunião de hoje)”, diz a moradora do Mary Dota, Rosemeire Leme Araújo.

Na opinião dela, as condições no prédio que atualmente acolhem a base não estariam tão precárias a ponto de justificar a mudança imediata. Porém, de acordo com a PM, o piso afundou, as madeira estão povoadas de cupins e o telhado cedeu.

O imóvel foi ofertado à PM em meados da década de 90 pela construtura responsável pelas casas do bairro. Cerca de dez anos depois, a primeira Base Comunitária de Bauru - atualmente são seis - tornou-se mais motivo de impasse no município.

Os moradores do Parque São Geraldo também estão dispostos a brigar pela permanência do posto policial no bairro. “Se depender da gente, podemos até fazer um abaixo-assinado. Em função da favela (nas proximidades do Jardim Maria Célia) entram nas casas e furtam. Levam fiação, por exemplo. Com a polícia aqui vai ajudar muito”, diz Wagner Lellis.

A expectativa dele é correspondente à da Associação de Moradores do Jardim Godoy e bairros vizinhos. A entidade instalou uma faixa no prédio onde a base será transferida agradecendo a vinda da Polícia Militar.

• Serviço

A reunião para discutir a transferência da Base Comunitária de Segurança Leste está marcada para hoje, a partir das 20h. Será aberta a todos os moradores interessados.

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Fala Povo

Para você, qual a importância de se manter a Base Comunitária Leste da Polícia Militar no Mary Dota?

“Pela segurança. Ela perto, aqui no bairro, dá mais segurança para nós que moramos aqui”

Fernanda Martim, 25 anos, auxiliar administrativa

“A presença da base dá mais segurança. Eu nem estava sabendo que iria sair, mas isso é ruim para o bairro. O correto é ter uma base lá para o São Geraldo e outra para nós”

Paulo Sérgio Silvestre, 37 anos, representante comercial

“A Base indo para outro lugar, fica mais difícil o acesso da população. Para nós é muito ruim. O certo era a Base ficar onde foi planejado primeiramente, perto da escola”

Eliana Pereira Damasceno, 31 anos, gráfica

“Estando aqui no bairro, a Base atende rapidinho as chamadas. Mudando pra longe, a comunidade vai esperar mais pelo atendimento”

Luciana Leoni de Souza, 12 anos, estudante

“Aqui no bairro tem bastante briga, o pessoal é assaltado, já teve até morte. Para evitar isso é sempre bom ter a viatura por perto. Se às vezes, com a base aqui, a viatura demora para chegar, imagina longe. Nós estaremos perdidos”

Rafael Halley, 19 anos, vendedor

“É importante para evitar ladrões e tráfico de drogas. Antes aqui era um perigo, um horror e com a base melhorou. Tão tirando tudo que é de bom daqui. Já foi o pronto-socorro, o correio que era aqui pertinho e agora a polícia”

Maria Zilda Floriano Robles, 49 anos, enfermeira

“Por ser uma bairro populoso na cidade, a base deveria permanecer aqui. O bairro do tamanho de uma cidade, com o trânsito desses, precisa da base o tempo todo aqui”

Paulo Sérgio Pereira, 34 anos, representante comercial

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