Araraquara - Eles estão no abrigo da prefeitura, em casas abandonadas, em postos de gasolina e até mesmo ao relento. Os moradores em situação de rua de Araraquara percorrem vários pontos em busca de alimento e abrigo. “É claro que eles estão mais expostos a tudo”, afirmou a professora Eliana Maria Souza, do Departamento de Sociologia da Unesp de Araraquara, comparando os moradores de rua com outras pessoas excluídas.
De junho de 2004 até fevereiro deste ano, eles eram 145. Agora pode ser que a turma seja bem maior. Daqueles, 97% eram homens, a maioria solteiros e alcoólatras (95%). Os dados são de uma pesquisa feita por Luciano Márcio Freitas, formando em Ciências Sociais pela Unesp de Araraquara - não conta os itinerantes. A mesma pesquisa mostra que 73% da população de rua tem entre 18 e 45 anos e 70% tem ensino fundamental incompleto.
“Há falta de espaço no mercado de trabalho. Ninguém está na rua porque quer”, diz Oliveira, que faz estágio na Secretaria de Inclusão Social e Cidadania. Alimento para eles não falta. A Casa Transitória, da prefeitura, registra 1.600 passagens em setembro, incluindo os itinerantes. Lá, eles recebem pernoite, banho, café da manhã e jantar.
“Há um trabalho muito bom de alimentação e de acolhimento, mas é preciso ir mais além”, disse o pesquisador. Souza, sua orientadora, concorda. “Os albergues deveriam ser mais bem pensados, tentando preencher o problema do desemprego. Não adianta só oferecer moradia.”
Alternativas
Pensando em resolver de forma mais ampla a situação dos moradores de rua e também daqueles que ficam “pingando” de cidade em cidade - com passes ganhos das prefeituras -, um encontro será realizado pela prefeitura na próxima terça e quarta-feira na Unesp. Representantes de Jaú, Matão, Ribeirão Preto, São Carlos e Limeira estarão presentes.
“A intenção é transformar ações isoladas em política pública, sem assistencialismo, tentando desenvolver a autonomia das pessoas para reinseri-las na sociedade”, afirmou Juliana Picoli Agatte, coordenadora de projetos da Secretaria de Inclusão. Segundo ela, já existem R$ 30 mil aprovados pelo Conselho Municipal para investimento em população em situação de rua.