O pagamento da primeira parcela do 13.º salário aos trabalhadores começou ontem. Segundo estimativas do economista Adriano Fabri, a liberação total do benefício deve resultar na injeção de aproximadamente R$ 50 milhões na economia de Bauru.
Segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a economia nacional irá receber R$ 45,9 bilhões com o pagamento do 13.º salário. Isso equivale a 2,4% do Produto Interno Bruto (PIB) e beneficiará 56,45 milhões de trabalhadores.
A média que cada trabalhador receberá, segundo o Dieese, é de R$ 1.092,72. As empresas que decidiram parcelar o benefício dos funcionários têm até o dia 30 de novembro para efetuar o pagamento da primeira parcela. Milton José Tessari, diretor financeiro de uma indústria de baterias, afirma que a primeira prestação do 13.º dos funcionários será paga no dia 30. A empresa optou pelo parcelamento para aliviar as finanças. “É uma satisfação muito grande oferecer isso aos empregados. Mas também representa uma despesa muito grande para o caixa”, observa o diretor.
Para beneficiar os cerca de 370 funcionários, Tessari revelou que foi necessário buscar uma linha de crédito bancário para conseguir reunir os R$ 500 mil que a indústria necessitará. “É bom para dar um fôlego para as finanças”, avalia.
Além do 13.º, o diretor lembra que em dezembro, quando vence a segunda parcela do pagamento do benefício, as empresas também devem quitar uma série de tributos. “Só com esses impostos, a empresa irá gastar cerca de R$ 200 mil”, aponta.
Com 327 funcionários, uma indústria do ramo alimentício pagará a primeira parcela do 13.º salário hoje. “A segunda pagaremos entre o dia 15 e 20 de dezembro”, afirma a diretora do departamento financeiro da empresa, Vera Lúcia Tobias. “Como a maioria dos empregados é de Bauru, acredito que o dinheiro será investido na cidade”, conta.
Cerca de 80% dos funcionários de uma empresa do setor gráfico da cidade preferiram receber a antecipação do benefício junto das férias. Edna Pompeu, analista de folha de pagamento da indústria, conta que no mês de janeiro os 1.040 funcionários escolhem como preferem receber o pagamento do 13.º salário. “A maioria prefere receber uma parcela no mês em que tira as férias. O restante nós pagamos em dezembro”, revela.
Benefício ameaçado
Os funcionários estatutários da Universidade Estadual Paulista (Unesp) podem ficar sem parte do pagamento nesse ano. Um comunicado vindo da Reitoria informou as datas dos vencimentos do benefício, e segundo Milton Vieira do Prado Júnior, presidente da Associação dos Docentes da Unesp (Adunesp), alguns colegas só poderão receber o restante do 13.º em janeiro.
Segundo ele, os funcionários contratados pelo regime da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) receberão até 20 de dezembro todo o 13.º. Já os estatutários que ganham mais de R$ 2.500,00 receberão a primeira parcela em dezembro e a segunda apenas em janeiro.
“Estamos tentando alguma alternativa judicial para defender os nossos colegas”, conta.
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Cuidado com sensação de dinheiro no bolso
O economista Fernando Pinho alerta sobre a sensação de “dinheiro no bolso” que as pessoas têm ao receber o pagamento do 13.º salário. “O brasileiro é muito consumista, compra sem precisar e sem analisar”, aponta. Os problemas vão começar a aparecer em março, quando o nível de inadimplência no comércio começa a subir.
Para Pinho, não existe fórmula do sucesso. Mas a solução para os consumidores não se afogarem em dívidas logo no começo do ano é o bom senso. “Analise a necessidade da compra e pondere quanto do seu salário será comprometido com o pagamento das parcelas”, aconselha.
Para o economista, também é necessário paciência. “Economize e compre à vista”, orienta. Segundo Pinho, as vantagens para quem compra assim são muito boas, devido aos descontos, possibilidade de negociação e falta de risco para os comerciantes. Além disso, pechinchar também ajuda.
Pinho também alerta para a necessidade de economizar parte do benefício para as contas do começo do ano. “Sempre existe um gasto imprevisto que às vezes obriga a pessoa a usar o cheque especial ou partir para uma linha de crédito com juros altos. Para evitar isso, é necessário ter um dinheiro poupado.”