Um furto seqüencial ocorrido em cinco lojas do Bauru Shopping anteontem trouxe à tona um problema retratado recentemente em uma novela, a cleptomania. Haydée, que na novela sentia impulso incontrolável de furtar mesmo que não necessitasse do produto para utilizá-lo ou para fins monetário, se repetiu em Bauru. Uma mulher de 62 anos, cuja identidade está sendo preservada pelo JC, foi pega em flagrante e o caso foi para a polícia. A família informou que ela sofre da doença e até indicou o médico com que ela se trata.
A doença atinge adultos de qualquer classe social que geralmente se sentem rejeitados, embora muitas vezes eles não sejam, adverte a psicóloga Andréia Georges. “São pessoas que se sentem rejeitadas, angustiadas, inseguras e insatisfeitas”, explica. De acordo com ela, a cleptomania é a impossibilidade repetida de resistir ao impulso de furtar ou de se apoderar de objetos alheios. “Isso acontece, normalmente, quando a pessoa está em crise. Em crise, ela sofre uma tensão crescente e, para se livrar dela, pratica o ato. Depois de praticar o ato, a pessoa se sente aliviada”, ressalta.
O ato praticado pelo portador da doença é consciente, frisa a psicóloga. “Essa pessoa não é desonesta e nem malandra. Ela tem o transtorno e não consegue resolver ou não tem recursos psicológicos para isso”, comenta. Andréia ressalta que existe tanto tratamento psiquiátrico quanto psicológico para a doença. “Há casos em que há necessidade do auxílio de medicamentos. Porém, o doente precisa mudar o seu padrão de pensamento. A psicoterapia ajuda a pessoa a adquirir estrutura para compreender e resistir aos impulsos e redirecionar suas angústias, suas insatisfações”, orienta.
Identificando
O diretor de marketing da uma das lojas vitimadas pela mulher, Luiz Evandro Manflin, afirma que são raros os casos de furtos de lingerie. “Não chega a um por mês. Nossas funcionárias estão atentas”, comenta. As peças preferidas são as calcinhas que elas (clientes) enrolam na mão e colocam na bolsa. “No caso específico, a mulher furtou duas calcinhas que nem serviam para ela. Ela estava acima de qualquer suspeita porque era uma senhora”, comenta.
Ele conta que normalmente é tido como suspeito quem entra na loja e rejeita o atendimento. “Essa pessoa entra e diz que só está olhando. Quando a funcionária se distrai ou vai atender outro cliente, ela aproveita para colocar uma peça na bolsa”, revela. A preferência, segundo o diretor, é por calcinhas. “As pessoas que furtam preferem peças pequenas e a calcinha é fácil de carregar”, explica. A cleptomaníaca visitou ainda mais três lojas de onde subtraiu objetos: uma de calçados, artigos indianos e de decoração.