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A economia por trás dos números


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Números superficiais e genéricos alardeados para demonstrar o sucesso da política econômica do atual governo não resistem a uma análise mais profunda e detalhada.

É verdade que a balança comercial cresceu quase quatro vezes no atual governo, e que as exportações vêm avançando de forma sustentada. Porém, quando se faz uma avaliação mais criteriosa sobre os setores econômicos que mais se expandiram não é difícil observar que o crescimento se concentrou nos produtos primários que, historicamente, sempre produziram bons superávits. Em outras palavras, o resultado da balança é conseqüência do aumento da demanda mundial por esses produtos e não por conta de uma política de comercio exterior arrojada.

Enquanto isso, setores como o industrial e o de serviços perderam espaço nas exportações e na balança comercial. A indústria, que produzia respeitáveis superávits na balança comercial, neste último ano acumula perdas consideráveis e de difícil recuperação.

Também ao analisar os motivos que levaram à redução da inflação – dos 13,88% registrados em 2002 para os 5,1% estimados para 2005 –, é possível verificar que uma das principais causas desse “milagre” foi a valorização cambial do real frente ao dólar. O Brasil registrou fortes reduções nos valores de matérias primas importadas e outros bens, que acabaram por aliviar a pressão sobre a inflação.

É fundamental destacar que esse tipo de redução não se sustenta. Ou seja, assim que o câmbio retomar um caminho inverso, o País volta a sofrer a antiga pressão inflacionária. Ao se analisar alguns índices em separado, também se observa que, novamente, o governo não fez a lição de casa, uma vez que os preços administrados pelo Poder Público subiram muito mais que os 5,1% da inflação.

Mais números: o Brasil continua crescendo abaixo da média mundial e dos demais países em desenvolvimento. Está deixando de aproveitar as oportunidades que a economia mundial proporciona. Os tão propalados crescimentos do PIB em 2004 e 2005 não resistem a uma simples comparação com a expansão mundial no mesmo período. Em 2002, quando outros países em desenvolvimento cresciam acima dos 3,5%, o Brasil avançava 1,5%. Em 2004, foram mais de 7% comemorados pelas demais nações contra os 4,9% daqui.

A taxa básica de juros (Selic) esconde números enganosos. Apesar de apresentar uma queda entre os 26,5% de 2002 e os atuais 19% – houve no mesmo período um aumento real de juros, que passaram de 12,6% naquele ano para 13,9% agora, o que mantém Brasil com título de maior juro real do mundo.

É verdade que a economia brasileira apresenta vários fatores positivos, principalmente por conseguir permanecer blindada frente à atual e lamentável crise política. No entanto, também é verdade que os números ainda são frágeis e, em muitos setores da economia, não se registram avanços significativos nos últimos anos.

O autor, Eduardo Tavarez, é professor da Unip e consultor do Bureau Veritas do Brasil

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