Polícia

2% das mulheres processam agressor

Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 4 min

Por dia, em média, a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Bauru registra 14 ocorrências de violência doméstica - neste ano, até o último dia 20, já eram 4.600 casos. Mas apenas cerca de 2% das vítimas que registram boletim de ocorrência decidem processar o agressor.

É o que revelam as estatísticas elaboradas pela DDM e que apontam o crescimento de casos de violência contra a mulher registrados na cidade. Em 1987, quando a delegacia especializada ao atendimento da mulher foi inaugurada, foram contabilizados 855 registros de violência.

No ano passado, 17 anos depois, a DDM contabilizou 4.833 casos de violência. “Buscamos, cada vez mais, esclarecer as mulheres sobre seus direitos para que não corram risco de vida. É importante que a vítima preste depoimento e siga até o fim”, afirma a delegada titular da DDM, Rejani Borro Ortiz Tiritan.

Mas a delegada ressalta que, por motivos afetivos, a maioria das vítimas desiste de continuar o processo contra seu agressor. “A vítima acaba perdoando o agressor, com medo de perder a relação”, diz Tiritan. Em 80% dos casos notificados na DDM, as vítimas foram agredidas por pessoas de convívio domiciliar, como maridos, filhos e pais.

Outro fator que influi é a situação econômica da vítima, segundo a delegada. “As mulheres que não têm condições de se sustentar sozinha, seja porque não trabalham ou porque recebem salário insuficiente, têm medo de continuar o processo”, diz Tiritan.

A delegada acredita que o número de ocorrência neste ano seja ainda maior que em 2004, quando foram registrados 4.833 casos de violência. “O aumento de registros deve acontecer porque as mulheres sentem-se mais seguras ao declarar que foram agredidas. Elas conhecem mais os seus direitos e não têm tanta vergonha de assumir que foram vítimas”, explica.

Pelo levantamento feito pela DDM, os casos mais comuns de violência contra a mulher são de lesão corporal. Em segundo lugar está a ameaça. Em Bauru, as mulheres vítimas de violência podem ser atendidas por dois convênios firmados pela DDM nas últimas semanas.

No Centro de Referência Especializado em Assistência Social (Creas), órgão ligado à Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes), a vítima recebe apoio através de orientação de assistentes sociais e psicólogas. “Um dos papéis fundamentais (do Creas) é manter banco de dados atualizado das demandas no município, buscando supri-las através da adequação dos serviços existentes ou criação de novos”, diz a assistente social Claudia Patrícia Clerigo.

A Universidade do Sagrado Coração (USC) também fornece suporte psicológico para as vítimas de violência doméstica. “Quando as mulheres fazem a queixa na delegacia, estão em condições emocionais precárias. Orientamos as vítimas a encontrar uma saída e encarar a situação com novas perspectivas”, diz a psicóloga voluntária do programa, Kelly Karina Siomari.

Para discutir políticas, ações e projetos visando a redução da violência contra a mulher, a Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Câmara Municipal realizará amanhã, às 14h30, no Plenário da Câmara, reunião pública.

Participarão do evento representantes da DDM, da Sebes e do Conselho Municipal da Condição Feminina. O evento é aberto à comunidade e tem objetivo de verificar qual a atual situação dos serviços oferecidos às mulheres vítimas de violência no município, além de verificar a qualidade do atendimento.

• Serviço

As vítimas de violência devem procurar a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) pelo telefone (14) 3234-5233.

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Fala-Povo

Você conhece alguém que sofreu violência doméstica?

Não conheço nenhum vizinho ou parente que sofreu violência dentro de casa, mas já ouvi falar que tem gente que bate nos filhos até machucar.

Maria de Fátima Quintiliano Amaro, 45 anos, dona de casa

Da violência, a gente sempre ouve falar. É um absurdo as coisas que acontecem dentro de um relacionamento familiar onde tem violência.

Washington Luís Pereira dos Santos, 36 anos, cobrador

Não conheço ninguém que sofreu violência. Acho que é falta de equilíbrio da família. As pessoas precisam abrir mais o coração.

Carlos Alberto Bonfim Rodrigues, 50 anos, vendedor

Conheço uma vizinha que corria com faca para brigar. Outro vizinho bateu com capacete na cabeça da mulher. A violência começa dentro de casa.

Sônia Goulart, 50 anos, comerciante

Não conheço a pessoa, mas ouvi falar que teve violência em uma casa perto de onde moro. Na minha família não tive problemas.

Vanessa Aparecida Alves, 21 anos, babá

Não conheço ninguém, mas acho a violência muito ruim para a família. Como vai educar os filhos com a violência?

Aparecida Rosa Souza Lima, 47 anos, dona de casa

Não conheço. Acho que as pessoas têm que denunciar porque tem bastante lugar que está acontecendo isso (violência).

Rosana Cristina Rodrigues, 26 anos, laboratorista

Conheço um filho que já agrediu fisicamente o pai e ele ficou deprimido. Para essas pessoas, falta oração para Deus.

Carlito Moraes, 53 anos, torneiro mecânico

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