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Agressão ao País


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Os jornais contam uma suposta briga dentro do governo. De um lado, a equipe econômica ameaçando aumentar o superávit fiscal de 4,25% para 6,0 % do PIB. De outro, a ministra Dilma Roussef negando e desqualificando a “proposta”. A estória despertou suspeita. Tudo não passaria de cortina de fumaça para desviar as atenções dos escândalos e de sua apuração pelas CPIs. O governo estaria tentando proteger o ministro Palocci das gravíssimas acusações de corrupção.

Outros acreditam. Há até quem aponte a “coincidência” entre as visitas de Palocci aos EUA e de Bush ao Brasil. Os donos do mundo estariam cobrando mais sangue dos brasileiros: mais recursos para os juros.Qualquer que seja a hipótese correta (quem sabe as duas?) é agressão ao povo. Os contribuintes têm o direito à verdade sobre os escândalos que abalam o governo. São inadmissíveis manobras para tumultuar as investigações.

Já aumentar o superávit seria crime inominável. Acrescentar 1,75% é destinar mais R$ 35 bilhões para os banqueiros. É metade dos orçamentos da saúde e educação juntos. Superávit de 6% é condenar milhões de brasileiros à morte por falta de serviços de saúde e à ignorância por falta de escolas e professores.

Enquanto nega saúde, educação, saneamento, segurança, etc. ao povo, o governo presenteia os banqueiros com a maior taxa de juros reais do mundo: 7% a mais que a da Turquia, a segunda colocada, e 9% além da média mundial. Vale lembrar que cada 1% na taxa de juros eleva a despesa do governo em R$ 12 bilhões ao ano.

Sobre os juros “doados” pelo Banco Central, os donos de bancos deitam e rolam com o mais alto spread (“lucro” sobre a taxa básica) do planeta. Duas vezes maior que o da Argentina, três vezes o da Rússia e nove vezes o dos Estados Unidos, segundo o FMI. E Lula quer dar mais! O povo não aceita, nem agüenta!

O autor, David Zaia, é presidente da Federação dos Bancários de São Paulo e Mato Grosso do Sul

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