Apenas seis meses após o governo do Estado fazer mutirão para zerar a demanda de mamografia em território paulista, a fila de usuárias do Sistema Único de Saúde (SUS) que aguardam a realização do exame em Bauru já soma 999 nomes. A espera de até cinco meses, no entanto, deve chegar ao fim em pouco mais de dez dias.
Mais uma vez, a Secretaria do Estado da Saúde realizará mutirão para acabar com a aflição de todas as mulheres que aguardam atendimento. Em Bauru e região, 14 unidades de saúde realizarão o exame a partir de sábado. Elas poderão ser procuradas por qualquer paciente que estiver com pedido médico para mamografia em mãos. Caso não seja possível atender toda a demanda no sábado, os exames remanescentes serão remarcados para os próximos dez dias.
Sílvia Regina Toledo Rodrigues, 51 anos, vai aproveitar a oportunidade. “Passei pelo médico em junho. Ele pediu (a mamografia). Vou fazer por precaução, mas a demora me preocupa. Teria de ser mais rápido. Vai que dá alguma coisa”, comenta. Se não fosse o mutirão, continuaria esperando a chance de fazer o exame numa das duas máquinas normalmente disponíveis às usuárias do SUS. Uma instalada no Hospital Estadual de Bauru e outra no Instituto da Mama, sendo que o instituto tem uma segunda quebrada.
Com a iniciativa pontual do governo do Estado, outros três mamógrafos particulares serão utilizados nos próximos dez dias. Mas segundo a reportagem apurou, o restrito número de aparelhos não teria relação direta com a vasta fila. O impasse esbarraria no baixo percentual de quotas estabelecidas para a realização dos exames. O problema, novamente, bateria às portas da União, que repassaria ao governo do Estado valor insuficiente para atender as demandas na área.
De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria do Estado da Saúde, o Ministério encaminha mensalmente a São Paulo R$ 250 milhões para a realização de todos os procedimentos, sendo que outros R$ 14 milhões, no mínimo, seriam necessários por mês. Para driblar o déficit, especificamente no caso dos exames de mamografia, o Estado investirá R$ 2 milhões para atender aproximadamente 60 mil mulheres em 130 municípios de todas as regiões paulistas no mutirão.
Nas clínicas particulares cada procedimento será reembolsado em cerca de R$ 40,00, apurou o JC. O investimento é bem-vindo, na opinião de Maria Aparecida Rodrigues da Silva, 48 anos. Ela fez o exame ontem, mas também reclamou da demora. “Se eu tivesse algum problema sério, já teria morrido”, diz. A sensação é compartilhada por outras usuárias do SUS, confirmam funcionários de uma das 19 unidades básicas de saúde do município.
Só numa delas, mais de 50 mulheres aguardam a vez. O JC tentou contato ontem à noite com o Ministério da Saúde, mas em função do horário não localizou os assessores.