Cultura

O quente do inverno

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 4 min

O inverno chega mais cedo a Bauru com a segunda edição do Senac Fashion Day. O evento será realizado hoje, a partir das 19h30, na Cervejaria dos Monges, e reúne estilistas, pesquisadores e consultores de moda que apresentam as principais tendências do outono-inverno 2006.

Para falar sobre o assunto com propriedade, a edição conta com a presença de profissionais renomados como a pesquisadora de tendências Luciana Parisi e a especialista em acessórios Beth Salles. Enviadas para Paris, Milão, Londres, Nova York e Tóquio, as peritas revelam as cores, as formas e os materiais que estão rolando nas passarelas do mundo da moda. Há ainda a participação da colunista Lillian Pacce, apresentadora do programa “GNT Fashion”.

Uma das tendências que serão abordadas segue na linha folk, numa supervalorização das culturas e dos povos nômades do leste Europeu e de alguns países da América Latina. Nas roupas, muita estampa e bordado, além de saias ciganas, coletes e batas camponesas. Além do folk, a moda resgata a London Mania que, com toda a excentricidade e irreverência da metrópole inglesa, mistura estilos do punk, do rock e do hippie dos anos 60 e 70.

O frio também traz pinceladas do country inglês e americano, além do militarismo de época, representado por calças de montaria, jaquetas militares e botões, medalhas e brasões em ouro envelhecido. A coleção também aponta para um novo caminho da moda que, inspirado em figuras como Grace Kelly, visa a sofisticação da mulher por meio do abuso da alfaiataria e de formas femininas ajustadas ao corpo.

Por outro lado, o coordenador e consultor de moda do Senac Bauru, Odil Zeeper, aponta para a importância de não transformar a moda em modismo. “Estar na moda é ter estilo. Para isso, eu não preciso comprar e vestir tudo o que é lançado. Qualquer pessoa pode reaproveitar peças de acordo com as tendências e a sua preferência”, sugere.

Ele ainda dá uma dica do que seria um guarda-roupa inteligente. “Tenha sempre roupas em cores pastéis. Com elas, você pode brincar com outras cores da temporada e ficar sempre na moda”, aponta.

• Serviço

Senac Fashion Day hoje às 19h30, na Cervejaria dos Monges (avenida Getúlio Vargas, 7-50). Ingressos a R$ 40,00 e R$20,00 (meia-entrada para estudantes). Informações: (14) 3227-0702.

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Profissionalização da moda

De acordo com Zepper, a indústria têxtil e de confecção responde por 5% do Produto Interno Bruto (PIB) do País, mas, infelizmente, no Interior a moda ainda é tratada de forma amadora. “Falta uma visão profissional para não ficarmos presos a fórmulas, mas isso não foi percebido por muitos lojistas”, lamenta. Prova disso foi a baixa participação de comerciantes da região na primeira edição do evento, realizada em abril deste ano.

Para o coordenador, a situação é lamentável pois ter acesso às informações do evento faz toda a diferença no competitivo mundo global. “Tanto para quem confecciona como para quem comercializa, o evento é fundamental para orientar no momento da criação ou da compra das roupas”, analisa Zepper.

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Desfile artístico

A noite de hoje será encerrada com a apresentação de 19 desfiles, produzidos pelos alunos do curso moda e estilo do Senac de Bauru. Durante o semestre, cada estudante pesquisou as tendências da coleção outono-inverno e o contexto em que cada uma está inserida. “Nosso desfile não é comercial. Não é feito para que as pessoas reproduzam nas ruas o que apresentamos. São roupas e acessórios que abordam o conceito máximo da arte sinalizado por meio de uma superfantasia”, explica Zepper.

Uma mescla de realidade e fantasia é o que a aluna do curso Cláudia Detomini apresenta com seus dois looks no evento de hoje. “No meu desfile, eu uso um cachecol gigante que nunca seria visto na rua mas, se não fosse pelo tamanho, não teria problema”, informa a estudante, que antecipa os estilos usados para sua produção. “Nas roupas, eu abuso do preto e do couro e uso detalhes em ouro envelhecido, além de pérolas e renda. Na verdade, é uma mistura bem combinada do estilo medieval britânico com o rock dos anos 70”, resume.

Toda a produção do desfile foi feita pelos próprios alunos, desde a pesquisa, o desenho, a confecção até a escolha dos modelos. A possibilidade encantou os envolvidos e abriu-lhes novas possibilidades de trabalho. “Eu sempre gostei de moda, mas nunca havia exercido. Depois do curso, pretendo me especializar e seguir carreira”, planeja Detomini, que atualmente é professora de história.

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