Chegamos a Santiago em uma manhã muito fria de agosto, em pleno inverno. A cidade é mais bela na primavera, quando seus parques e praças estão floridos e verdejantes.
O vôo pela LAN Chile, com saída de Guarulhos, foi tranqüilo. Após o almoço e alojamento no hotel “Príncipe de Astúrias” houve um tour pela cidade. Chamam a atenção as inúmeras praças ornadas ou embelezadas por enormes esculturas, comemorativas dos mais diversos feitos ou heróis nacionais.
A troca de guarda, em frente ao palácio do governo é uma atração para os turistas, principalmente para as crianças. É muito demorada, com muitos militares e a banda musical do exército.
Mas, a surpresa de nossa viagem foi conhecer o deserto de Atacama.
Calama é uma cidade a 800 km de Santiago, já no deserto. A empresa aérea chilena faz o vôo, especialmente para turistas, que vão conhecer o deserto. A cidade está em pleno desenvolvimento, com a mineração do cobre, maior riqueza do Chile, o maior exportador mundial desse minério.
O guia que nos esperava no aeroporto trazia um cartaz com nossos nomes. Depois de nossa identificação, fomos levadas de van para San Pedro de Atacama, 40 km de distância. O povoado fica em um oásis em pleno deserto. Venta muito e não há ruas calçadas, então é só poeira. Possui dois razoáveis hotéis para turistas. Ficamos no “Casa de San Tomas”. Há muitas agências de turismo, onde se contratam os passeios ao deserto. São muitos dias para se ver aquele lugar inimaginável. Em um giro pela cidadezinha, conhecemos museus e antigas igrejas construídas pelos padres que vieram com os conquistadores espanhóis. A maioria dos habitantes é constituída de índios que vivem do turismo, os homens como guias e motoristas e as mulheres como artesãs, trabalhando no tear usando a lã dos animais da região, como lhama, alpaca e vicunha.
É um artesanato muito colorido: chales, meias, gorros, poncho, luvas e muito mais. Não adianta pechinchar, em todas as lojinhas é o mesmo preço e é fixo, não tem desconto.
O Atacama não é uma paisagem uniforme e monótona, como o Saara, por exemplo. Há lagoas habitadas por flamingos (cor de rosa), que ali vivem e se acasalam, alimentando-se de formas microscópicas de algas. São protegidos por “Conaf y Associacion Indigena Valle da la Luna”. Há normativas internas para a reserva dos flamingos, que devem ser seguidas.
Os indígenas que habitam os oásis trabalham como guias de turismo, falando inglês e esclarecendo com desenvoltura as dúvidas dos turistas, muitos deles americanos e também alguns brasileiros.
Há sempre em todo o Atacama alguma surpreendente visão. Mas o que mais nos impressionou foi a região dos geisers. Ainda de madrugada, 4:00, lá estávamos nós e muitos outros turistas a uma altitude de 4.600m e temperatura de 12 C abaixo de zero, contemplando aquele espetáculo inesquecível. Fendas no solo de onde jorra água a uma temperatura de 85 C, que ao subir se espalha por todo o lado. O vapor que se forma sobe e parece nuvem ou cerração, tomando conta do lugar.
O café da manhã foi servido ali, naquele ambiente místico, como se fôssemos transportadas para um lugar irreal. Os ovos, que o guia havia trazido, foram cozidos em poucos minutos nas fendas de onde jorrava a água quente. Mas o frio que fazia atravessava meias, luvas de lã, nada nos aquecia, apesar da alta temperatura da água.
Ainda a alguns metros dali, em uma lagoa com água a 35 C, muitos turistas se banhavam, uma aventura que jamais esquecerão. A água do lençol freático é aquecida com o calor gerado pela atividade vulcânica do subsolo.
Há regiões do deserto que nos dão a impressão de cidades arrasadas por algum cataclisma, que tudo transformou em ruínas. Podemos ver regiões com vegetação rasteira, onde lhamas e outros animais da região pastam em grupos. Bonito de se ver como todo o Atacama nos deslumbra a cada passo. Todo o deserto é cortado por rodovias, sem asfalto, mas firmes e cheias de poeira. Segundo os guias, lá nunca chove e é o lugar da terra mais inóspito e mais seco, apesar de lá existir vida. A cobertura das casas nos oásis é de palha, só para proteger do vento, da poeira e do sol. O sol é escaldante e a temperatura durante o dia é alta, caindo rapidamente ao anoitecer.
As surpresas, que se apresentam em cada região, nos emocionam e escondem tanta grandeza que nos sentimos pequenos e impotentes, tudo é majestoso.
O Atacama fica no norte do Chile, abrangendo parte do Peru e Bolívia. Mas o Chile não é só deserto, há Viña del Mar, Val Paraíso, Valle Nevado (estação de esqui), as vinícolas, os Lagos Andinos do sul, a Patagônia, a Terra do Fogo etc.
Dulce Montenegro Turtelli