Bairros

Bebê de vítima da leishmaniose está sob suspeita da doença

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

A leishmaniose não respeitou o luto da família do ajudante de limpeza Wagner Cristian Assumpção. Há menos de dois meses, ele perdeu a mulher de apenas 25 anos por causa da doença. Nem teve tempo de se recuperar da dor e já enfrenta outra. O filho do casal, de 1 ano e 8 meses, foi internado no início desta semana com suspeita de estar com o mesmo problema de saúde da mãe.

O diagnóstico ainda não foi confirmado oficialmente, mas o bebê inicia hoje o tratamento contra a leishmaniose. De acordo com a assessoria de imprensa do Hospital Estadual de Bauru (HE), onde a criança recebe atendimento, o menino apresenta os sintomas, mas o teste oficial não ratifica. A investigação continuará, embora exame sorológico (ainda em teste no HE) tenha apontado o problema.

Em matérias anteriores, a reportagem já apresentou as dificuldades de identificação da doença. O processo convencional prevê a retirada (com agulha) de pequena porção da medula a partir do esterno (osso situado no peito). Mas é possível que naquela exata parcela, a leishmania não seja encontrada. Neste caso, o exame deve ser repetido.

A medula é um órgão de concentração do parasita, assim como o baço e o fígado, esclarece o infectologista Fernando Monti. Na opinião dele, em função das dificuldades de diagnóstico e do procedimento invasivo, o exame só deve ser recomendado para quem apresentar manifestações da doença. No entanto, se dependesse Wagner Assumpção, toda sua família seria submetida ao teste.

Além dele próprio, teme pela saúde da mãe, irmão, outros parentes e, principalmente, da filha de três anos. “Falaram que só dá para fazer exame com sintoma, mas aí já é tarde demais”, diz. O infectologista confirma relação entre tempo de evolução e a gravidade que a doença adquire. Mas reitera: mesmo nestes casos, o diagnóstico também pode ser difícil. É ainda mais complicado em pacientes sem sintomas.

“Precisa mesmo é acabar com os mosquitos”, alerta Monti. Só neste ano, 22 pessoas contraíram oficialmente a doença em Bauru. No mesmo período, cinco pessoas morreram vítimas de leishmaniose, segundo levantamento da reportagem. Para evitar a multiplicação dos números, o Departamento de Saúde Coletiva (DSC), órgão vinculado à Secretaria Municipal de Saúde, atua em três frentes.

A primeira delas é a busca ativa em humanos, informa o diretor do DSC, Mário Ramos. De acordo com ele, o procedimento consiste em investigar pessoas com sintomas num raio de até 200 metros de onde o paciente com leishmaniose mora.

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