Potunduva - Os alunos do Espaço Cultural do distrito de Potunduva, em Jaú (47 quilômetros de Bauru) farão hoje uma apresentação dos trabalhos desenvolvidos durante os últimos meses dentro do projeto “RG - Registro Geral e Cidadania”. O evento, que terá a encenação de peça teatral e exposição de arte e artesanato, será realizado no Clube Real Sociedade, na rua Santa Catarina, às 19h30. A entrada é franca.
O Espaço Cultural do distrito de Potunduva foi inaugurado em setembro de 2004 com o intuito de oferecer alternativas para a utilização do tempo livre de crianças e adolescentes moradores daquele bairro, segundo a assessoria da Prefeitura de Jaú.
Cerca de 65 alunos entre 7 e 15 anos freqüentam o local gratuitamente no período oposto ao das aulas. Três monitores se revezam nas oficinas de literatura, artesanato, desenho e teatro. As atividades são desenvolvidas com base na experiência obtida com o Projeto Semear, mantido pela Secretaria Municipal de Cultura durante dois anos no Jardim Pedro Ometto.
A proposta de se trabalhar a cidadania a partir da certidão de identidade, de acordo com a assessoria, nasceu da constatação de que 830 mil crianças nascidas no Brasil não possuem RG. “A falta desse documento dificulta a matrícula da criança na escola, e ela fica vulnerável ao tráfico de menores e ao trabalho escravo. Mais tarde, quando cresce, têm dificuldade para conseguir um emprego”, comenta Conceição Belinasi, coordenadora do projeto.
A partir de canções nacionais e estrangeiras, foram programadas diversas atividades envolvendo o tema cidadania. A primeira delas, feita a partir da composição “A Casa”, de Vinicius de Moraes, levou ao estudo da primeira “casa” do ser humano - a barriga da mãe - e a moradia de cada um dos alunos.
A partir de documentos de artistas famosos, os alunos passam a conhecer a nacionalidade de cada um, a bandeira do país, o brasão do estado a que pertencem, além das obras que produziram. Cada aluno também fez o seu próprio RG.
A importância de se preservar a natureza e o meio ambiente, conceitos morais como honestidade, respeito e amor próprio também são abordados pelos monitores durante as oficinas. “Além do fomento à cultura, o projeto visa integrar a criança como cidadã, como ser humano. O resultado positivo a gente já pode sentir no próprio comportamento da criança”, comenta a secretária de Cultura, Lucy Rossi.