Regional

Acusada de homicídio é condenada a 17 anos

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Arealva - O tribunal do júri de Bauru condenou Rosa Maria Bento, 35 anos, a 16 anos de reclusão por homicídio cometido em 2003, em Arealva (41 quilômetros de Bauru), e a mais um ano de prisão por ocultação de cadáver. A sentença foi assinada pelo juiz Benedito Antônio Okuno.

O advogado de defesa, Ricardo Soubhie, protocolou ontem recurso contra a decisão do júri. Na avaliação dele, a pena recebida por sua cliente foi exagerada.

O julgamento durou quase 12 horas - começou às 9h e a sentença foi proferida por volta das 20h de anteontem. Várias pessoas ligadas à vítima do homicídio compareceram usando camisetas pretas com a inscrição “Luzia justiça”. Luzia Bento, na época com 42 anos, foi morta com dois golpes de pau de cerca na cabeça.

O crime ocorreu no dia 11 de novembro de 2003, por volta das 23h30, próximo à Ponte Branca, em Arealva. Na opinião do júri, a acusada teria se utilizado de recurso que impossibilitou a defesa da vítima e foi cometido por motivo torpe e com dissimulação.

Com auxílio de uma terceira pessoa cujo nome não é citado na sentença, Rosa Bento, que apesar do sobrenome idêntico não é parente da vítima, teria ocultado o cadáver de Luzia.

Por unanimidade, o júri reconheceu que a ré teve culpa no assassinato e, por maioria dos votos, o Conselho de Sentença aceitou a autoria do crime de ocultação de cadáver.

Por se tratar de ré primária e de bons antecedentes, foi fixada a pena mínima para o crime. Ou seja, 12 anos de reclusão pelo homicídio. A pena foi aumentada em quatro anos, sendo dois anos para cada qualificadora (motivo torpe e dissimulação), que serviram como agravantes. Além dos 16 anos de reclusão, Rosa foi condenada à pena mínima de um ano por ocultação de cadáver.

Por se tratar de crime hediondo, Rosa cumprirá a sentença pelo homicídio integralmente em regime fechado e pela ocultação de cadáver inicialmente em regime fechado. Rosa foi detida em dezembro de 2003 e desde então está recolhida na cadeia feminina de Cabrália Paulista.

Por causa da superlotação do lugar, parte das detentas, entre elas Rosa, foi levada para a cadeia de Pirajuí. Os dois anos que esteve na prisão serão abatidos da sentença proferida anteontem pelo tribunal do júri.

O advogado Ricardo Soubhie acredita que tem boas chances de conseguir a anulação pelo menos da pena por ocultação de cadáver. Por causa de um ferimento na mão, na época do crime, Rosa não teria condições de carregar o corpo e escondê-lo.

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Encruzilhada

No dia 11 de novembro de 2003, Luzia Bento teria saído de casa por volta das 23h para ir a uma encruzilhada com Rosa Maria Bento fazer um trabalho de macumba. O trabalho era para que o ex-marido de Rosa voltasse para ela, segundo contou a polícia na época.

A encruzilhada ficava na estrada vicinal que liga Arealva a Iacanga. Próximo ao local havia um riacho de água corrente e a lua era cheia.

Assim que Luzia começou o “serviço”, o trabalhador rural Wilson Lenharo, 48 anos, então marido de Rosa Maria, aproximou e golpeou Luzia na cabeça com um pedaço de pau de aproximadamente um metro e meio de comprimento, daqueles usados para fazer cerca.

Luzia caiu e ainda recebeu um segundo golpe na cabeça. Em seguida, ao perceber que ela estava morta, Lenharo enterrou-a numa cova de aproximadamente meio metro de profundidade.

Sobre a cova foi colocada a carcaça de um animal morto, com o objetivo dissimular o cheiro da decomposição do corpo.

O crime foi descoberto graças a uma denúncia anônima com informações de onde estaria enterrado o corpo, que foi encontrado em adiantado estado de decomposição, a cerca de 200 metros do local onde Luzia teria sido morta.

Na ocasião, Lenharo também foi preso e encaminhado à cadeia de Avaí.

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