Ser

Homossexualidade assumida

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 1 min

Em 2001, o vendedor Fábio*, 30 anos, enfrentou uma das fases mais complicadas de sua vida: contar para a mãe que é homossexual. “Minha orientação sexual vem desde criança e minha família sempre achou que eu iria seguir os princípios normais da sociedade”, conta. “Minha mãe esperava muito de mim e acho que acabei decepcionando-a. Ela ficou depressiva, o diálogo entre nós ficou muito difícil”, acrescenta o vendedor, que preferiu não revelar nada para o pai.

A exemplo de Fábio, muitos homossexuais enfrentam períodos de angústia e sofrimento ao aceitar e assumir a orientação sexual perante à família. Na maioria dos casos, o principal medo é decepcionar os pais, aponta a psicóloga clínica e psicoterapeuta familiar Maria Ivone Marchi Costa.

Ela e a professora de direito civil e doutoranda em sociologia Cláudia Elisabeth Pozzi ministraram o workshop “A família lidando com a homossexualidade”, realizado no último dia 18, durante a 2.ª Jornada Refletindo as Famílias”, na Universidade Paulista (Unip) Bauru.

“O homossexual se sente muito mal, pois sabe que vai desapontar os pais. Acredita que a família não vai aceitá-lo porque ninguém espera ou idealiza ter um filho homossexual. Sabendo dessa repercussão, ele sofre muito”, diz Costa.

Não raramente, gays e lésbicas tentam ocultar sua orientação sexual atrás de namoros ou relacionamentos heterossexuais. “Se eles sabem que a família é rígida, tentam esconder. Se policiam, mentem e às vezes têm relacionamentos escondidos”, observa a psicoterapeuta.

“Por que tantos homossexuais são casados e têm filhos? Não existe uma ‘cortina’ melhor do que o casamento. Através dele as pessoas podem ir às festas, ter seus filhos e uma vida afetiva separada”, observa..

*Nome fictício a pedido do entrevistado

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