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Minha história: Vó Laza, tia Laza, Lazinha...


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Hoje, 17 de novembro de 2005, com um nó na garganta, os olhos cheios de lágrimas, mal posso ver sua foto no poster dos seus 90 anos, onde toco seu rosto com leve sorriso nos lábios e um olhar distante tão cheio de paz, aquela paz que excede todo entendimento e que tão poucos possuem!

Dou graças ao meu Deus que a mim deu o privilégio de conviver com a senhora um tempo maior que os outros seis filhos, mas sabe, para mim ainda foi tão curto! Sua companhia era tudo de bom! A senhora era ímpar! Que escola! Quanta sabedoria! Nos lábios, sempre uma palavra de ânimo! Anunciou o evangelho com a vida!!! Murmurar? Nunca!! Nem mesmo quando perdeu o seu companheiro, a quem tanto amava (o Tuninho, moreno, de barba serrada, músico e de quem morria de ciúmes e sempre dizia: “Quem não tem ciúmes do que é seu, cobiça o que é dos outros”). Nem tão pouco murmurou ao ter que deixar sua casa, seu sítio, onde pescava todos os dias, e teve de vir para a cidade abrindo mão daquela liberdade que a vida no campo lhe oferecia!

Eu me lembro, e como me lembro, era a primeira a se levantar e a última a se deitar! Nas férias chegavam os netos, os sobrinhos que somavam às crianças do sítio e com dedicação e sempre sorrindo, preparava as canequinhas para o leite na cocheira diretamente das vacas bem de madrugada! E os pães no forno à lenha para mais de 15, 20 crianças que passavam as férias curtindo uma infância que poucos tiveram! Era só alegria!!

Aos 87 anos, não andou mais sozinha, ficou na cadeira de rodas, mas não perdeu a alegria, pois amava a vida, as pessoas e sempre com um sorriso nos lábios, um polegar positivo e uma palavra de incentivo causava admiração em cada um que chegava perto dela!

Viveu o dom supremo: o amor por excelência! Ágape! Doador! Ressaltava só a qualidade em cada um, nunca via os defeitos! E hoje, quando já completa um ano que a senhora se foi, eu me volto para o dia 17 de novembro de 2004 e vejo chorando o idoso, o adulto, o jovem, o adolescente, a criança! Cada um tinha algo para contar do quanto de bom fez na vida deles, e diziam alguns: eu tinha que vir dar o último beijo!

Nós duas éramos uma família, que privilégio! Nos entendíamos com um olhar! Como foi bom beijar tanto o seu rosto, suas mãos, pentear os seus cabelos, colocar o brinco de argolas que tanto gostava! Era vaidosa! Como era!

Hoje a casa está tão grande e as saudades muito maior, não cabe no coração!! Quanta falta a senhora me faz!

Sei que um dia nos encontraremos na eternidade (Jesus nos deu essa garantia!), mas aqui na terra, mãe, nunca mais é muito tempo! Tanto tempo, mãe! Quanto! Quanto!!

Odinéa Pereira da Silva

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