Bairros

De olho na febre maculosa

Fábio Marinari
| Tempo de leitura: 2 min

Bauru não registra nenhum caso de febre maculosa, de acordo com o chefe do Controle de Zoonoses (CCZ) da cidade, Luís Barros Cortez. No entanto, o município não está livre dos carrapatos, inclusive do Amblyomma cajennense, espécie popularmente conhecida como carrapato-estrela e que pode portar a bactéria que causa a doença.

Nas áreas naturais localizadas dentro da zona urbana, como o Horto Florestal e Jardim Botânico, os responsáveis não confirmam a ocorrência de mordidas de carrapatos nos visitantes, embora seja comum encontrar essas espécies em ambientes como esses, onde há animais silvestres.

Moradores do Parque Real, Jardim Jussara, Parque Viaduto e Vila Cardia também confirmam a existência desses parasitas que costumam atacar eqüinos, capivaras, cães, roedores e até mesmo seres humanos. “Carrapato tem em Bauru e em qualquer cidade”, explica o chefe do CCZ, enquanto faz questão de deixar claro que não existe no município a Rickettsia rickettsii, causadora da febre maculosa que vive no organismo do carrapato-estrela. Ainda assim, não existe uma confirmação oficial afirmando se os parasitas encontrados nos bairros citados acima são, ou não, do tipo estrela.

Independentemente de não haver a doença, os carrapatos são sempre um incomodo para a população. De acordo com o médico dermatologista Ivander Bastazini, os consultórios atendem com freqüência pessoas que reclamam de picadas. Além disso, as clínicas veterinárias bauruenses recebem muitos cachorros com sintomas da doença do carrapato (Erlichia Canis), que é causada por outra espécie do parasita e que pode provocar a morte do animal.

Todo esse alarde em relação à febre maculosa começou com a morte de duas pessoas em Petrópolis, no Rio de Janeiro, e a suspeita de outros casos no litoral do estado de São Paulo. O Ministério da Saúde está tomando medidas para impedir que ocorram epidemias. Nos últimos 11 anos foram registrados 391 casos da doença e um total de 107 pessoas morreram. O índice de letalidade em 2005 é de 28%, com 25 casos confirmados e 7 óbitos até agora.

O município ainda não elaborou um programa de prevenção à doença, embora, de acordo com Cortez, muitas pessoas estejam pedindo informações para o Centro de Controle através de telefonemas. Recentemente, a vigilância sanitária municipal ofereceu um treinamento sobre a maculosa aos técnicos que visitam as residências. “Não há motivos para assustar a população, nossos agentes estão preparados para orientar os moradores”, diz.

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