Não há nenhuma relação entre o carrapato-estrela (Amblyomma cajennense), hospedeiro da bactéria que causa a febre maculosa, e o carrapato canino (Rhipicephalus sanguineus). No entanto, este segundo é o responsável pela Doença do Carrapato, que ataca cachorros e pode até provocar a morte desses animais. Em Bauru, este parasita tem preocupado proprietários de cães, pois casos da doença são registrados com freqüência nas clínicas veterinárias, principalmente no período de estiagem.
De cada dez caninos atendidos pelo veterinário Oneir Caçador Júnior, sete apresentam sintomas da Erlichia canis, (Doença do Carrapato). “Metade das pessoas trazem o animal em estado crítico para o tratamento, pois o proprietário pensa que o cachorro está doente por causa de algum verme ou em razão da troca de ração”, relata Júnior. Na fase inicial, os principais sintomas dessa enfermidade são apatia e falta de apetite, confundindo com os da leishmaniose. Já nos casos avançados, as fezes escurecem e a gengiva começa a esbranquiçar.
Na clínica do veterinário Luciano Fazzani Bortotto, o número de casos da Doença do Carrapato corresponde a 40% dos atendimentos, especialmente na época de altas temperaturas. “A cura depende do estado em que o cão chega até aqui. Quando a doença se encontra num estado moderado, ainda existem chances de recuperação”, explica.
A prevenção deve ser feita através do uso de coleiras anti-carrapatos, repelentes, pomadas, talcos e sabonetes, mas também é importante realizar a pulverização do ambiente onde o cachorro vive, por meio de produtos químicos. “Os proprietários têm o hábito de cuidar somente do cachorro e se esquecem do quintal”, afirma Júnior que lembra que o controle do local acelera o processo de exterminação dos parasitas. “Demora de quatro a cinco meses para controlar os carrapatos só com produtos para o cão, se junto a isso for promovida a higienização do ambiente, leva até 6 semanas”, emenda.
Embora os parasitas caninos possam picar seres humanos e ocasionar coceiras, eles não oferecem riscos à saúde nem são portadores da bactéria que provoca a febre maculosa.