A manifestação promovida pela Associação de Professores Aposentados do Magistério Público do Estado de São Paulo (Apampesp) se concentrou na Praça Rui Barbosa, onde a presidente da entidade, professora Zilda Halben Guerra, 80 anos, convocou a categoria a se mobilizar contra a política de gratificação adotada pelo governo estadual.
“Acordem professores aposentados e ativos, porque vocês serão mais prejudicados do que nós. Vocês vão perder as gratificações quando se aposentarem e vão passar o que estamos passando agora. Essa política é uma tapeação. Os caras pintadas foram às ruas, e nós também temos que ir e mostrar a nossa força”, disse.
Para a presidente, é preciso que cada regional da entidade discuta com a comunidade a situação. “Procurem os deputados, prefeitos e vereadores. Alguns deles foram seus alunos. Vamos exigir vida digna.”
Na opinião da presidente, não adianta nada ter longevidade se não há como ter qualidade de vida. “Temos que pagar plano de saúde e não sobra dinheiro para os remédios. Há 40 anos eu pago o Hospital do Servidor. Para conseguir uma consulta é preciso esperar três meses.”
A categoria vaiou os políticos de Bauru que não compareceram para apoiar o movimento. “Nós votamos e vamos nos lembrar disso na próxima eleição”, prometeu.
A diretora local da entidade, Maria José Lemos Xavier, frisou que a manifestação é principalmente por causa do princípio da paridade que não está sendo respeitado pelo governo do Estado. “Neste último reajuste que ele (governo) deu aos professores, o inativo ficou com menos da metade do que foi dado para o ativo. Ele deu 15% para todos da Educação sobre o salário-base. O ativo recebeu uma gratificação de mais 15% que não foi paga para os inativos.”
A esperança, de acordo com a diretora, é de que o governador Geraldo Alkmin reveja as posições dele e reconsidere essa paridade, prevista na Constituição. “Queremos uma atenção especial. Em Bauru há 918 inativos, e na região são 1.800.”
Segundo a presidente, as manifestações começaram por Bauru e serão desenvolvidas em todas as cidades sede da associação. “Convidamos os professores inativos a se engajar no movimento. Pretendemos colocar 100 mil pessoas nas ruas e fazer valer nossos direitos.”
Em passeata, cerca de 150 professores inativos desceram pelo Calçadão convocando a população a cobrar dos governantes um reestudo do caso.