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Filho custa R$ 420 mil até os 23 anos

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

Você já parou para calcular quanto gastaria se tivesse investido todo o dinheiro que usou com o seu filho? O economista carioca Luis Carlos Ewald colocou na ponta do lápis todos os gastos que um filho de classe média-alta, desde o pré-natal até a formatura na faculdade, tem e verificou: se os pais tivessem investido todos os meses os gastos que tiveram, 23 anos depois poderiam desfrutar de R$ 1 milhão.

Em seus cálculos o economista aponta que se os pais, com uma renda mensal de R$ 5 mil, somarem todo o dinheiro que gastam com seu filho, a conta resultaria em cerca de R$ 420 mil. Mas se a cada mês aplicassem o valor dos gastos na caderneta de poupança, 23 anos ou 266 meses depois teriam R$ 700 mil. Se ao invés da poupança investissem em algum fundo de renda fixa, ao final do mesmo período resgatariam R$ 1 milhão.

O administrador de empresas Sandro de Castro não se surpreendeu com os cálculos de Ewald. Com dois filhos pequenos, Artur de 2 anos e Luan, com 1 aninho, ele garante que o valor mensal gasto chega até a ser maior que o calculado por Ewald. “Como nós dois trabalhamos, mantemos os dois na escolinha em período integral. E para ter uma idéia, 30% das compras mensais são com coisas para eles, como iogurtes e fraldas”, calcula. Só a última compra de roupa, ficou em torno de R$ 400,00. “E olha que a cada quatro meses temos que renovar tudo. Eles crescem muito rápido”, conta.

Além disso, Castro aponta que nem sempre é possível prever tudo. Sempre haverá gastos adicionais com escolinha e com o lazer dos finais de semana. E também com remédios, como o para tratar a catapora recém contraída pelo caçula.

Um alento para o casal é que os gastos do segundo filho correspondem a 80% do total do primogênito. “No segundo filho, a infra-estrutura já está pronta, ele aproveita o que foi adquirido para o irmão mais velho”, afirma Ewald. Se o casal tem um terceiro filho, ele será 35 % mais “econômico” que o primeiro. “Além disso, um casal que tem meninas vai gastar mais”, revela.

Uma exceção entre os casais brasileiros, Sandro e sua esposa June, que é advogada, já planejaram o futuro dos filhos. Os dois meninos já possuem um plano de previdência cada, que servirá para custear uma faculdade, por exemplo. “A nossa realidade foi inversa da situação que temos hoje, por isso, pensamos no futuro deles”, conta.

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Gastos ano a ano

O gasto médio dos filhos por ano varia de acordo com a idade, Luis Carlos Ewald. Até 3 anos, os filhos representam um gasto de R$ 6.500,00 ao ano. Estão contabilizados os exames pré-natais, o parto, vacinas, pediatra, remédios, creche e até mesmo as fraldas, que segundo o economista, chegam a consumir até R$ 4 mil do orçamento anual familiar.

Enquanto as crianças crescem, os gastos aumentam proporcionalmente. Dos 4 aos 6 anos, os custos com escolinha, material, roupas, presentes e alimentação somam R$ 15 mil. Dos 7 aos 10 anos, a criança já freqüenta uma escola formal, pratica um esporte, gasta mais com lazer, deixando ao ano, os pais com R$ 17 mil a menos no bolso.

O maior salto de custo apontado pelo economista está entre os 11 e 14 anos, quando o filho já começa a ter uma vida social mais ativa. Além do colégio particular, o curso de idiomas e o lazer, Ewald já calcula os custos com combustível para levar o adolescente para as festinhas e o telefone celular. Então dos R$ 17 mil da fase anterior, o filho passa a gastar R$ 21.500,00.

Namoro, shows, viagens, cursos e colégio são somados no período que abrange dos 15 aos 17 anos, que consomem R$ 22 mil. Logo depois, os pais começam a bancar o cursinho preparatório, os custos do vestibular, a faculdade particular e até o carro do filho. No final, dos 18 aos 23 anos ele vai custar R$ 25 mil ao ano, três vezes o custo anual de quando era bebê.

E para quem não quer abrir mão de ter filhos e, ainda sim, ter R$ 1 milhão, Ewald também tem a resposta. Basta aplicar, a partir dos 20 anos, R$ 7,00 todos os dias na poupança. Aos 65 anos de idade, você terá essa quantia na sua conta. “Para quem é fumante, essa é a dica: com o dinheiro economizado de três maços de cigarro, aos 65 anos, além de saudável, você vai estar milionário”, garante.

Ewald é professor de finanças da Faculdade Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro e autor do livro “Sobrou dinheiro – lições de economia doméstica” (Editora Beltrand).

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