Com uma renda mensal de R$ 1.000,00, a família de Renata e Júnio César Rodrigues não tem idéia de quanto gasta por mês com o filho Caio, de 2 anos. Ela é funcionária pública estadual e ele é empregado do comércio. Em comum com a família de Castro, eles têm o sonho de pagar uma faculdade para o filho. “Vamos lutar para isso”, garante a mãe.
Sobre os gastos mensais, ela afirma que não tem o hábito de planejar. “Eu nunca parei para somar. Mas eu sei que é bastante”, conta. Atualmente, Caio está numa escolinha particular, pois a creche pública mais próxima da casa da família só aceita crianças a partir de 3 anos. “Mas assim que der vamos matriculá-lo numa escolinha da prefeitura”, revela. “Mas se um dia a gente conseguir um emprego melhor, quem sabe a gente consiga pagar uma escola particular?”, planeja.
No lado mais extremo da realidade, aquelas famílias que compõem a base da pirâmide social brasileira, 54 milhões de brasileiros vivem com renda mensal de até R$ 150,00. Em Bauru, o número não é muito diferente. “Tem muita gente vivendo com uma média per capita abaixo de R$ 50,00”, revela Rosângela Maria Lenharo, assistente social da Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes).
Auxílio
Muitas vezes, a única renda mensal garantida vem dos programas de transferência do governo federal, como o Bolsa-Família e o Bolsa-Escola. Nesses casos, ao invés de consumidoras, as crianças passam a ser geradoras de renda para os pais. Segundo a assistente social, essas famílias se concentram em bairros de periferia e os pais geralmente trabalham com bicos ou com a coleta de sucata.
Nessas condições, as crianças quase não representam gastos. Geralmente são famílias que moram em casas ocupadas, e vivem de doações e da assistência da prefeitura. “Os filhos freqüentam escolas públicas, utilizam as unidades de saúde dos bairros e recebem doações de roupas”, enumera a assistente. Além disso, um dos únicos gastos, que é a alimentação, pode vir também de doações.
A emancipação é mais cedo, também. Enquanto na classe pesquisada por Ewald os filhos só começam a gerar renda após os 23 anos, nas classes mais baixas as crianças logo começam a participar da renda familiar. “Com certeza eles deixam de depender dos pais muito mais cedo”, avalia Lenharo. A necessidade de ajudar em casa leva às crianças a esmolar e mais tarde, a trabalhar. Programas de emancipação e geração de renda são as alternativas dessas famílias. O projeto Nenhuma Criança na Rua, por exemplo, atende 86 crianças e em janeiro pretende incluir mais 100.