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Entrevista da semana: Delegado linha-dura chefia Deinter-4

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 6 min

Roberto de Mello Annibal, atual diretor do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo - Interior (Deinter-4), já ocupou vários cargos de destaque na Polícia Civil do Estado de São Paulo. Foi delegado seccional e regional. Desde setembro, está à frente do departamento que congrega sete seccionais e 145 unidades. Ele confirma sua fama de linha-dura e avisa que delegado não é um funcionário público comum; pode trabalhar nos finais de semana e à noite.

Para ele, o funcionário bom tem que ser reconhecido. Já para aquele que não trabalha direito, ficam os rigores da lei orgânica. Nesta entrevista concedida ao Jornal da Cidade, o diretor conta qual é a sua filosofia de trabalho.

A seguir, os principais trchos da entrevista.

JC - Qual é a sua filosofia de trabalho?

Annibal - Privilegiar o bom funcionário. Ele pode faltar para pescar porque está sempre disponível. Para o mal funcionário, (fica) o rigor da lei. Essa é a minha filosofia de trabalho. Sou delegado desde 1976 e sei que, para ser polícia, é preciso gostar.

JC - Antes de ser diretor do Deinter-4 o senhor foi delegado em outras regiões?

Annibal - Fui delegado regional em Botucatu e seccional em São José dos Campos, São Sebastião e Botucatu. Como diretor, sou responsável por sete delegacias seccionais, que congregam mais de 145 unidades policiais.

JC - Por que o senhor tem fama de ser linha-dura?

Annibal - Esquecendo a questão salarial, porque quem não está contente tem que mudar. Nós somos pagos para trabalhar, não interessa se o pagamento é bom ou ruim. Acho que a gente tem que trabalhar por orgulho próprio, honradez, tem que chegar em casa, olhar para a família e ela ter orgulho da gente pelo trabalho que realizamos. Não fiz concurso para ser funcionário público, fiz concurso para ser delegado de polícia, que para mim é uma grande responsabilidade.

JC - Na sua opinião, o delegado não é funcionário público comum?

Annibal - Não. A lei orgânica da polícia estabelece, e todo mundo que trabalha aqui sabe disso. Vão trabalhar no mínimo 40 horas semanais. Isso não significa que ele não pode trabalhar de final de semana e a noite. O delegado de distrito não pode se igualar a funcionário público, que tem hora para entrar e sair, tem sábado, domingo e feriados livres. Cada um tem que se preocupar com a sua área, o que não vem ocorrendo na região toda.

JC - O senhor é exigente com funcionários?

Annibal - Essa história de eu ser duro deve partir de quando o funcionário vem reivindicar alguma coisa, seja de qualquer natureza. Para mim, antes ele tem que cumprir tudo o que estabelece a lei orgânica, seus deveres de policial, que estão escritos nos artigos 62 e 63. Eu já tive casos de delegados, não aqui, mas em São José dos Campos, que ao sair da academia se apresentava e já perguntava da folga. Nem tinha começado a trabalhar e já estava pensando na folga. Outro problema é que eles querem trabalhar no quintal da casa. Na cidade onde moram, não é assim. Tudo na vida tem seu preço e você tem que cumprir com o seu dever.

JC - Qual é a responsabilidade do policial?

Annibal - É muito grande a responsabilidade do policial, ele lida com a vida das pessoas, com o sentimento delas. Ele tem que trazer benefício para a sociedade, e para trazer benefício, tem que dar um pouco mais de si. Isso significa você levar um pouco de paz, zelar pela paz interna, porque nós também fazemos parte da sociedade.

JC - O senhor acredita que vá acabar com a criminalidade nessa área do Estado?

Annibal - Seria esdrúxulo eu dizer que vou acabar com a criminalidade. Ela remonta da Bíblia, Caim matou Abel, mas o que se procura é minimizar isso para dar um pouco mais de segurança para as famílias.

JC - Como o senhor encontrou o Deinter?

Annibal - Cada dona de casa arruma à sua maneira. Ao departamento cabe planejar; quem executa são as seccionais. Não sou eu quem vai determinar, por exemplo, se o delegado de Tupã vem aqui e daqui vai para lá. Quem tem que mudar é ele. Eu planejo e ele executa. Ele tem que me dizer quem é quem e quem serve para fazer determinado serviço planejado. Qualquer mudança de delegado será proposta pelo seccional e analisada pelo diretor. Não tem nenhuma mudança de pessoal e nem de delegacia.

JC - Quais setores serão priorizados?

Annibal - Eu vou priorizar todos os setores, não só a DIG e a Dise, mas todos os distritos. Eles têm que fazer investigações. De maneira geral, o levantamento de crimes na área do Deinter-4, inclusive em Bauru, pelo que pude ver estatisticamente, é muito tímido. O número de crimes de autoria desconhecida que foram esclarecidos gira em torno de 15% a 20%. Precisamos ser mais agressivos. Vou planejar e o seccional vai executar isso.

JC - Quais os investimentos que podem ser feitos para incrementar as investigações?

Annibal - Mais investigadores não tem. Viaturas, estamos recebendo 71. Tem 20 funcionários concursados para chegar. Vamos atender as 145 unidades policiais, isso é um pingo dágua no oceano. Vamos segurar com o que temos.

JC - Se não há como aumentar o número de funcionários, como intensificar as investigações?

Annibal - Isso eu não posso dizer, é uma questão interna. Temos maneiras, uma série de medidas e equipamentos. Vai melhorar muito, tenha certeza disso. O plano vai ser colocado e eles têm que viabilizar. Tenho projetos. Provavelmente, no mês de dezembro o Guardião vai funcionar. É uma inteligência da Polícia Civil e isso vai melhorar as condições de investigação. A polícia vive de informação, de toda sorte de informação e isso vai melhorar muito.

JC - A unidade de inteligência da Polícia Civil será incrementada?

Annibal - O Deinter-4 está preparando uma equipe especial para cuidar do Guardião. Tem um delegado, escrivão, investigador e agente policial. É uma equipe especializada, que foi buscar conhecimento em cursos na Capital.

JC - O número de crimes na área do Deinter-4 tem aumentado?

Annibal - Não tem aumentado, pelo contrário, o Deinter-4 é o que menos tem crimes no Estado de São Paulo. Nessa região, todos os tipos de crime são menores.

JC - Depois de ter passado por duas seccionais, qual é a sua marca registrada?

Annibal - Minha marca? Em torno de 70% de crimes esclarecidos, valendo dos recursos existentes. Tenho minha forma de trabalhar. Primeiro, conheço tudo, policiais, dados existentes e faço comparações com anos anteriores e com a realidade atual. Depois de ter um panorama da situação, parto para as metas, estabeleço aquilo que tem que ser feito.

JC - Os policiais estão preparados para a nova realidade da Polícia Civil?

Annibal - Sim. Eles estão fazendo vários cursos de reciclagem, desde os delegados até os carcereiros. São cursos de gestão, de investigação e tudo o que há de moderno. Vamos trazer também para a coordenadoria de ensino de Bauru.

JC - Tem alguma coisa que preocupa mais o senhor no Deinter-4 ?

Annibal - Em toda a região, a situação é a mesma: o levantamento de crimes e o tráfico de drogas. Para minimizar a situação, temos alguns planos.

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