Na próxima semana, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) irá protocolar um projeto sobre coleta seletiva de lixo para a Fundação Banco do Brasil, com o objetivo de obter R$ 150 mil em recursos. A iniciativa irá somar-se a outras ações desenvolvidas em parcerias para ampliar a reciclagem de lixo, que hoje corresponde a apenas 1% do total produzido pelo município.
A diretora do Departamento de Ações e Recursos Ambientais da Semma, Ivy Wiens, explica que, se aprovado, esses recursos servirão para melhorar a estrutura da coleta seletiva na cidade, que hoje funciona de segunda a sexta-feira, nos bairros com ruas asfaltadas. “Outra parte do recurso será destinada às campanhas educativas. Também estamos em contato com as escolas para que sejam pontos de multiplicação da coleta seletiva. Também será ministrado curso de capacitação para os catadores”, acrescenta Ivy.
Além disso, está em andamento, uma pesquisa que irá delinear o perfil dos catadores de Bauru, desenvolvida pela Instituição Toledo de Ensino, com parceria da Secretaria Municipal do Bem-Estar Social. “Já temos 200 questionários respondidos, que aborda desde o tempo que passa na rua coletando, número de pessoas na família e até se teria interesse em trabalhar de forma cooperada”, acrescenta a diretora.
Hoje, quem faz a coleta na cidade é a Prefeitura Municipal, que possui quatro caminhões, mas um está em manutenção. Dias de chuva e quando há problema em outro veículo, a região fica sem coleta na semana. Mesmo com a coleta, quando o material chega na Associação dos Catadores de Bauru, criada há 10 anos, muito material orgânico chega misturado ao reciclável. “A conscientização dos munícipes é muito importante, mesmo em dez anos de atuação da associação, ainda a quantidade reciclada é muito pequena”, diz a diretora de Ações Ambientais.
Agregar valor ao lixo
Tirar do lixo o que não é lixo é uma difícil tarefa, que tem sido abraçada por Bauru e outras 21 cidades da região, que também integram o Conselho de Desenvolvimento Econômico Regional (Coder). O problema, que deixou de ser apenas ambiental para ser também social, pois muitas pessoas vivem do lixo e em situações precárias, estimulou a entidade a propor a criação de uma usina de lixo na região.
A proposta é agregar valor aos resíduos recicláveis com a implantação da usina. O professor do Departamento de Engenharia de Produção da Unesp de Bauru coordena o projeto dos alunos Samuel Gonçalves Carreira e Rafael Juliano Fabro Salvador, que apresentaram uma amostra, na última reunião do Coder, em Pederneiras. A partir de então, formou-se uma comissão para discutir soluções integradas para as cidades da região.
Coordenado pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), o Coder pretende dar continuidade ao projeto da Unesp e chegar a alternativas viáveis, nos próximos três meses. De acordo com o Ricardo Coube, diretor do Ciesp, com os dados reais, as cidades poderão decidir qual a melhor alternativa e as formas de participação.
“Precisamos atuar nos interesses comuns, principalmente com ênfase no potencial desenvolvimentista. A participação dos municípios ainda é tímida, não há um engajamento pleno, mas com o andamentos projetos, acredito que os municípios irão aderindo”, reforça.
Coube ressalta a importância da participação de acadêmicos na solução dos problemas urbanos. “As universidades e faculdades assumem a postura de contribuir com a sociedade para o bem comum. Isso é o modelo americano, onde a universidade é o centro de conhecimento”, compara. “Queremos buscar boas práticas de gestão pública, como a apresentada por Lençóis Paulista (projeto “Cidade Limpa e Solidária”), que foi premiada.”
A maioria das cidades não possui um modelo comum para a destinação dos resíduos, cada uma com sua receita, o processo ainda exigirá amadurecimento e conscientização. Para o secretário municipal do Meio Ambiente de Bauru, Carlos Barbieri, é necessário ampliar a coleta de dados do projeto e chegar às condições reais.
“Bauru está bastante avançada nesse processo, há dez anos temos a associação que faz a coleta seletiva. Na região, muitas cidades têm 13 mil habitantes, em Bauru, só o Mary Dota possui 45 mil. Com base em exemplos como de Santo André, iremos propor a cooperativa única, onde teremos todos os coletores cooperados, a cidade dividida em quatro regiões e a transformação da central de reciclagem em uma grande central, que receberá o material dos núcleos”, explica.
Hoje, a prefeitura municipal gasta R$ 364 mil por ano para fazer a coleta seletiva e consegue arrecadar R$ 60 mil, valor dividido em 22 famílias da associação. Mas a grande parte do lixo reciclável de Bauru ainda não passa pela associação, pois são coletados por catadores independentes, que muitas vezes praticam trabalho escravo e não conseguem agregar valor ao produto de seu trabalho. Para se ter uma idéia, de acordo com os números da Semma, a cidade possui 2 mil catadores informais, que futuramente deverão passar por cursos de capacitação.
Apesar de possuir um perfil diferente de outros municípios, Bauru tem muito interesse em participar das ações do Coder. “Não nos furtamos de discutir juntos, que é uma visão mais moderna, os consórcios podem gerar mais recursos e queremos compartilhar experiências, enxergar melhor os problemas que temos”, finaliza a diretora do Departamento de Ações e Recursos Ambientais da Semma, Ivy Wiens.
• Serviço
Dúvidas sobre coleta seletiva em Bauru, telefone (14) 3235-1105, na Semma.
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Fala-povo
Você separa o lixo para reciclar?
Apparecida Carboni Terrabuio, dona-de-casa - “Sim. Porque acho que é necessário para reduzir a poluição”
Janaína Monteiro, comerciária - “Sim. Porque facilita o trabalho das empresas de material reciclável”
Leonardo José Daniel, soldador - “Não. Porque não tenho o hábito. É mais fácil colocar tudo num lixo só”
Márcio Luís de Maio, segurança - “Sim. Porque é um modo correto de colaborar com a natureza”
Celina Fernandes, comerciária - “Sim. Porque melhora o meio-ambiente”
Fernanda Ramos, arrecadadora - “Não. Acho importante, mas não tenho tempo”
Ana Kátia Brasil Castor Modolo, professora - “Sim. Porque devemos preservar o meio-ambiente”
Aristóteles Tomé Souza Durante, cobrador - Sim. Separo o que é reciclável do que é lixo orgânico, porque assim é possível evitar o desperdício reaproveitando o lixo”
Lázaro Soares de Oliveira, funcionário público aposentado - “Minha mulher recicla. É importante, porque ao invés de jogar fora, ajuda algumas pessoas”
Carlos Alberto Capella Camargo, funcionário público estadual - “Sim. Porque ajuda os catadores de lixo reciclável”
Benedito de Souza, pedreiro - “Sim. É fácil e uma forma de ajudar as pessoas que recebem dinheiro trabalhando com recicláveis”
Adilson Édemo Durante, vigilante - “Não. Porque não tenho mania, jogo tudo no mesmo saco”