Creio que nada tenha mais a cara do Brasil que uma CPI. Não é a feijoada, nem o samba ou Carnaval, não são as montanhas do Rio ou a pujança da Amazônia. São as CPIs que mais identificam nossa amada Pátria. A CPI do Mensalão já acabou e, como era de se esperar, não incriminou ninguém, apesar de concluir pela existência indiscutível da prática criminosa. A CPI dos Correios, tal como divulgado em 25/11, já anuncia seu estertor com uma provável ineficácia e corre o risco de, também, “terminar em pizza”.
Para os que eram crianças no início da década de 90, o significado “terminar em pizza” deriva da prática contumaz dos parlamentares àquela época que, depois dos trabalhos das inúmeras CPIs, deleitavam-se com pizzas e outras iguarias pagas com verbas públicas, que eram entregues nas dependências do Congresso Nacinal no meio da madrugada.
Hoje não se entregam mais pizzas, mas a prática contumaz de fazer barulho, alardear empenho e prometer resultados é a mesma de outros tempos. Brasília não muda. O tempo passa, as pessoas envelhecem, mas o político brasileiro, a autêntica cara do Brasil, continua o mesmo, eterno, etéreo, guardião do corporativismo, defensor da infâmia, consumidor da corrupção, enfim, a antítese do paladino.
Causa-me náuseas assistir ao espetáculo deprimente promovido por Lula que, com sua voz de messalina em final de noitada, justifica nas CPO (cara de pau oficial) cada ato da quadrilha que ele colocou de assalto na administração pública. O descaramento, a legitimação da corrupção como se fosse um simples erro, as confissões ladeadas de sorrisos cínicos e irônicos demonstram claramente que essa tragédia dantesca está longe de acabar. Como um ébrio ausente da realidade, descrente na concretude dos fatos comprovados, o mandatário maior ulula uma ética que é impermeável dele até seus agraciados com o empreguinho público no 3.º escalão do governo.
Talvez Lula deva mesmo ser visto apenas como a um ébrio, pois só assim se justificaria tanto trabalho para o PT mandar um jatinho executivo no trajeto São Paulo-Brasília para buscar três simples caixas de uísque cubano. Milhões de dólares? Imagina, isso é ilusão de bêbado.
Ivan Garcia Goffi - advogado - OAB/SP - 165.173