Os refrões ousados e impublicáveis do funk já estão na ponta da língua dos paulistanos. A ponto de serem cantados em coro e tornarem algumas estrelas do ritmo para lá de exigentes. Tati Quebra Barraco, por exemplo, a funkeira que inovou ao abusar do duplo sentido e das obscenidades nas letras, só fala com jornalistas no camarim. E se estiver disposta. Telefonar para seu celular? Nem pensar. “Ela odeia falar pelo telefone”, avisa o empresário.
Em uma das casas noturnas onde se apresentou, fez uma exigência: Amarula, o licor, à vontade. “Ela adora aquela bebida doce. E sobe no palco e fala todas aquelas coisas olhando na cara do público. É incrível”, diz Ed Sá, um dos sócios da boate, que fez tudo para agradar à estrela.
Enquanto Tati parece saber muito bem por onde está andando em São Paulo, MC Serginho e suas duas “dançarinas” - Lacraia e Gazela - não faziam a menor idéia de que a Lotus, onde iriam se apresentar dois dias depois da entrevista, é uma das baladas mais caras da cidade e filial de uma boate de Nova York.
“Nossa, estamos podendo assim?”, perguntou, brincando, Lacraia. “Chegamos nos lugares e as pessoas cantam junto. Com esse negócio de baixar coisa da Internet, nossas músicas chegam mais rápido aos lugares”, completa MC Serginho. O assédio aos funkeiros na noite de São Paulo se estende aos pedidos de fotos dos fãs. A cabine do DJ Marlboro vive rodeada de tietes. Ele é um dos funkeiros com agenda mais apertada ultimamente. E quase já não passa o tempo no Rio. “Na semana passada, toquei em Berlim e em Paris”, conta. “Levo as dançarinas e o pessoal fica imitando o jeito de dançar. É muito bom.”