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A favor da vida


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O Congresso Nacional deve colocar em votação, nesta quarta-feira, a lei que visa despenalizar o aborto em nosso país. Grupos antivida, fortemente financiados por multinacionais, vêm fazendo pressão aos parlamentares, inclusive junto à mídia, para conseguirem aprovar esta infame lei, buscando justificativas em meias verdades e eufemismos, desrespeitando o que as pesquisas de opinião dizem em relação ao assunto, pois, segundo o Ibope, 97% da população brasileira é contrária à despenalização do aborto no País.

No Vaticano, em audiência com o papa Bento XVI, na semana passada, o Conselho Permanente da CNBB manifestou a preocupação da Igreja Católica no Brasil sobre esta questão, dizendo que está havendo mobilização das bases, para evitar que os deputados aprovem esta legislação. O prelado brasileiro referiu-se, além do aborto, também à questão da eutanásia, porque se sabe que após a aprovação da despenalização do aborto, o lobby antivida vai trabalhar para que o Congresso aprove também a eutanásia. O que estamos assistindo é um ataque contra a vida humana, em duas situações em que ela se encontra mais indefesa: na sua fase nascente e no seu ocaso.

O secretário-geral da CNBB, dom Odilo Pedro Scherer, em entrevista a Rádio Vaticano afirmou que "no Brasil vivemos um momento todo especial. Também no Brasil crescem as ciências, as tecnologias, e assim por diante. E, por isso, também ali entram em discussão várias questões que talvez no passado não eram tão relevantes, mas hoje são. Já tivemos no início deste ano o projeto de lei de biossegurança que, ao mesmo tempo em que aprovou o uso, o plantio e a comercialização de produtos transgênicos, também aprovou o uso de embriões humanos para a pesquisa científica, de maneira que ali se coloca um problema moral muito sério”. E acrescentou: “Temos agora o projeto de lei do aborto que está aí tramitando na Câmara que, digamos, a idéia é despenalizar o aborto. Não mais considerar o aborto crime, mas na verdade é legalizar o aborto de maneira ampla”. O secretário-geral da CNBB disse que na audiência do dia 17 de novembro, quinta-feira passada, aos bispos brasileiros Bento XVI demonstrou profundo conhecimento sobre os projetos de legalização do aborto no Brasil e achou grave a liberação geral, sobretudo sob o pretexto de ser um direito da mulher.

Dom Odilo afirmou ainda que deve acontecer no Brasil uma mobilização dos que são a favor da vida. Ele considera que há armadilhas no discurso de quem defende o aborto. "É um erro contrapor o direito da mãe ao do filho. Precisamos reafirmar que, antes mesmo de nascer, o bebê é um ser humano”, destacou.

A CNBB divulgou uma nota com o título "O direito de nascer", dizendo que “o Projeto de Lei nº 1135/91 pretende conceder a toda mulher o ‘direito’ de interromper voluntariamente sua gravidez”. Para os bispos brasileiros, “trata-se de um ataque frontal ao direito básico de todo ser humano: o direito de nascer. Esta violação atinge os demais direitos humanos, provoca o desmoronamento da ordem social e jurídica e abre espaço para inúmeros desmandos morais”. E ressaltam: “É urgente, fundamentados em sólidos dados científicos, repetir que a vida humana começa com a fecundação, a partir da qual o ser humano possui patrimônio genético e sistema imunológico próprios e se desenvolve de modo coordenado, progressivo e contínuo. A vida humana deve ser respeitada e defendida desde o começo de sua existência até a morte natural”.

Para a CNBB, “não é, portanto, admissível que uma proposta de lei ouse permitir a eliminação de um ser humano inocente e indefeso. Torna-se incoerente o discurso sobre direitos humanos, pois, entra se em contradição ao defender outros direitos, negando o direito primordial de nascer e viver”. Apoiamos o posicionamento da CNBB e conclamamos a todos que estejam do lado da vida.

O autor, Valmor Bolan, é doutor em Sociologia, reitor da Universidade Guarulhos - UNG, vice-presidente do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras e diretor geral da Faculdade Editoral Nacional - e-mail: valmorbolan@faenac.edu.br

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