Regional

Morte de bebê leva mãe à Justiça

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Pederneiras - A morte de um bebê aparentemente saudável durante o parto está sendo questionada na Justiça por Suzana Glixinski, 27 anos. Ela culpa a Santa Casa de Misericórdia de Pederneiras (26 quilômetros de Bauru) pela demora no atendimento, o que, na opinião dela, teria provocado a morte de sua filha, que “nasceu” pesando 2,5 quilos, no mês passado.

Suzana procurou ajuda jurídica e deve processar o hospital caso fique provado que a instituição teve culpa na morte da filha.

A direção clínica da Santa Casa contesta a acusação de negligência no atendimento e diz que foram tomadas todas as providências necessárias. De acordo com o médico Carlos Alberto Clementino, diretor clínico do hospital, a criança morreu porque houve um descolamento da placenta.

Nesses casos, segundo ele, não há muito o que se fazer. O diretor argumenta que o atendimento adequado do hospital possibilitou manter a mãe viva, uma vez que o risco de morte da criança - e também da mãe - é grande nessas ocorrências. “Nós salvamos a mãe”, diz Clementino.

A advogada de Suzana, Eny Severino de Figueiredo Prestes, solicitou cópia do prontuário médico para apurar eventual negligência do hospital no atendimento a Suzana. No último dia 10, foi feita a exumação do corpo do bebê. O resultado também deve fazer parte da documentação que a advogada está reunindo para pedir indenização moral e material de sua cliente e a responsabilização criminal dos responsáveis pela morte da criança.

“A Santa Casa tem bons profissionais, mas naquele dia a Suzana teve um tratamento desumano”, criticou Eny. Na avaliação dela, se a Santa Casa não tinha condições de prestar um atendimento adequado naquele momento, deveria ter encaminhado a paciente para outro hospital.

Sangramento

Suzana conta que começou a sentir dores por volta das 19h30 do dia 13 de outubro. Ela estava grávida de nove meses. Quando o marido, Gildásio Viana dos Santos, chegou do trabalho, por volta das 20h, ela pediu para que ele a levasse para o hospital.

Da chegada à Santa Casa até o atendimento médico passaram-se duas horas. Suzana relata que precisou ir ao banheiro e lá teria ocorrido o descolamento de placenta. “Caiu uma bola de sangue”, relembra.

Depois disso, ela foi atendida pelo diretor clínico do hospital, que a colocou em uma cadeira de rodas e ordenou que fosse levada à maternidade.

O médico que a atendeu examinou a criança, ainda na barriga da mãe, e teria comentado que não ouvia o coração do bebê. Foi feita a cesária, mas o bebê, segundo o hospital, nasceu morto.

O pai teria recebido a criança ainda quente, suja de sangue, de fezes e roxa. Suzana alega que nem chegou a ver o bebê, ou pelo menos não se lembra disso. Ela ficou 14 dias internada, com apenas 15% de chances de continuar viva. Diz ter tomado de oito a nove bolsas de sangue e conseguiu sobreviver.

Suzana conta que ficou sabendo que tinha descolamento de placenta aos cinco meses de gravidez. Seu pré-natal foi acompanhado pelo médico Ulisses Massad Ruiz.

Depois de tudo que passou, afirma ter medo de engravidar novamente. Mãe de quatro filhos, Suzana revela que tem vontade de adotar uma menina em breve. Mas tem de ser recém-nascida. “Quero que ela use as roupinhas que eu tinha reservado para a minha filha”, justifica.

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É preciso rapidez

O descolamento de placenta costuma ser confundido com a placenta prévia. Porém, é muito mais grave. Constitui-se no desprendimento do órgão antes do nascimento do bebê, ocasionando grande hemorragia. Se a gestante observar, principalmente no fim da gravidez, que está tendo um sangramento, deve comunicar o médico imediatamente. Quanto mais rápido for o atendimento, maiores serão as possibilidades de sucesso.

A gestante precisa repor o sangue perdido para garantir as condições de oxigenação do feto. O descolamento ocorre em aproximadamente 1% das gestações. Desse total, 10% dos casos levam à morte do bebê.

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