Bairros

Aterro deixa de receber lixo industrial

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 2 min

As indústrias de Bauru que enviavam papéis, plásticos e outros resíduos da linha de produção para o aterro sanitário, localizado ao lado das penitenciárias 1 e 2, estão sendo obrigadas a encontrar outra destinação para o material. A Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), que administra o aterro, suspendeu o recebimento de lixo industrial após ser informada pela Agência Bauru da Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental (Cetesb) que o empreendimento não tem licença para armazenar resíduos sólidos industriais.

Com a medida, anunciada no início desta semana, já há empresas com resíduos industrias acumulados. “Consultamos a Cetesb, que nos informou que o aterro não tem licença para resíduos sólidos industriais. Se continuássemos recebendo resíduos da linha de produção, mesmo que seja apenas papel, estaríamos sujeitos a multa. Então, comunicamos todas as empresas que tinham contrato com a Emdurb”, conta Jorge Monteiro, diretor de Limpeza Pública da empresa.

Ele ressalta que, por lei, a responsabilidade pela deposição final do lixo é da fonte geradora. Monteiro lembra que há aterros construídos especialmente para receber lixo industrial, de alto potencial poluidor, como em Paulínia. O aterro sanitário de Bauru não pode receber lixo industrial por conta do risco de contaminação do solo e lençol freático.

As indústrias pagavam à Emdurb R$ 32,35 por tonelada de material depositado no aterro. De acordo com Monteiro, cerca de 40 empresas mantinham contrato com a Emdurb, que juntas depositavam cerca de 5 mil toneladas de resíduos por mês no aterro sanitário. Por dia, o aterro de Bauru recebe cerca de 220 toneladas de lixo doméstico, mais resíduo hospitalar. Neste ano, a Cetesb deu nota 9,5 ao aterro de Bauru numa escala que vai de 0 a 10.

Lixo doméstico

Mas Monteiro ressalta que as indústrias podem continuar encaminhando para o aterro todo lixo que não seja proveniente da linha de produção, como resíduos de refeitórios e banheiros. “As empresas que tiverem dúvida podem nos procurar. Já tivemos um caso que, na dúvida se aquele resíduo podia ou não ser depositado no aterro, pedimos à indústria um laudo da Cetesb, que autorizou”, relata.

Porém, explica Monteiro, a Emdurb também suspendeu o recebimento de resíduos encaminhados por empresas prestadoras de serviço de coleta por falta de documentação. “Temos notícia de que algumas empresas, como supermercados, não estão conseguindo depositar o lixo no aterro, mas não há qualquer impedimento para este tipo de resíduo. O que ocorre é que há empresas que fazem o transporte deste material que não estão regularizadas”, afirma.

Comentários

Comentários