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Sombra não é o único mandante da morte de Daniel, dizem promotores

Folhapress
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Brasília - Os promotores Roberto Wider Filho e Amaro José Thomé Filho, que investigam a morte do prefeito de Santo André, Celso Daniel, reafirmaram ontem na CPI dos Bingos que acreditam na existência de outros mandantes do crime, além do empresário Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, denunciado por eles à Justiça como um dos mentores do assassinato.

Wider e Thomé Filho sustentam sua análise no fato de Ivan Rodrigues da Silva, o Monstro, um dos participantes do seqüestro e morte de Daniel, ter se dirigido a Campinas momentos antes do crime. O prefeito foi seqüestrado na zona sul de São Paulo, em 18 de janeiro de 2002, depois foi levado a um cativeiro no Jardim Pantanal, divisa com o município de Diadema, e acabou assassinado em Itapecerica da Serra, na grande São Paulo.

Na semana passada, em depoimento à sessão especial da CPI dos Bingos, em São Paulo, Monstro admitiu que um dia após o seqüestro esteve em Campinas, pela manhã. Os promotores acreditam que foi naquela cidade que o comando da organização decidiu mandar torturar o prefeito para que ele revelasse onde estariam documentos relativos ao suposto esquema de corrupção em Santo André.

Os promotores destacaram a atuação de Gomes da Silva no que consideram um “esquema de corrupção” na Prefeitura de Santo André e apontaram as contradições nos depoimentos do acusado. Para eles, Celso Daniel foi morto porque não concordava com desvio de dinheiro para uso particular, embora admitisse recursos não-contabilizados para campanhas políticas. “Durante toda a investigação, não vimos nenhum sinal de enriquecimento ilícito de Celso Daniel”, atestaram.

A delegada Elisabete Sato, designada para reabrir o caso, evitou afirmar se a motivação para a morte de Daniel foi política, como suspeitam os promotores e senadores da CPI dos Bingos. No entanto, disse acreditar em “crime compartilhado” (tipo de ação na qual os envolvidos sabem e executam apenas parte do plano como, por exemplo, um faz o seqüestro, outro permanece no cativeiro, outro negocia). Ela também procurou não julgar a investigação realizada pela Polícia Civil que anteriormente concluíra que a morte do prefeito de Santo André havia sido um crime comum, e não político. “Não posso apontar falhas porque não acompanhei o processo.”

O depoimento dos promotores reacendeu a troca de acusações sobre uso político da morte do prefeito de Santo André. Para Wider e Thomé Filho, está clara a hipótese de crime de mando. Eles disseram aos senadores que “estranharam” a atitude do deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), enviado pela Câmara dos Deputados, em 2002, para acompanhar as investigações do crime na qualidade de membro da Comissão de Direitos Humanos. “Testemunhas eram enviadas ao escritório do Greenhalgh para serem orientadas”, relembraram os promotores. “Mas ele não se apresentou como advogado de nenhuma das partes e estava acompanhando os trabalhos na qualidade de enviado do Congresso”, afirmou Wider.

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) também revelou que o deputado lhe admoestou recentemente. “Você está conversando muito com estes promotores, como dá ouvido a eles?”, teria lhe dito o deputado. Ontem, por meio de sua assessoria de imprensa, Greenhalgh informou que continua acreditando na hipótese de crime comum e criticou os promotores. “Eles fazem acusação leviana para desconstruir a tese dos que discordam dele.” O deputado confirmou que conversou com o senador petista. “Se for quebrado o sigilo telefônico do Suplicy, se verá uma ligação estreita entre ele e os promotores.”

O advogado de Gomes da Silva, Roberto Podval, também demonstrou irritação. “Não entendo o papel dos promotores”, disse. “Eles são os acusadores e como passam a ser testemunhas numa CPI contra as pessoas que estão acusando?”, questionou. “É uma postura perigosa.”

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