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José Rainha volta ao Pontal, se diz ‘perseguido’ e articula visita de Lula

Folhapress
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Presidente Prudente - Um dia depois de conseguir na Justiça o direito de aguardar em liberdade o julgamento de uma condenação a prisão, o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) José Rainha Jr., 45 anos, reapareceu publicamente no Pontal do Paranapanema (oeste de SP) anunciando a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à região.

Foragido desde 27 de outubro, quando foi condenado a dez anos de prisão por furto qualificado e incêndio criminoso pela invasão de uma fazenda, Rainha foi recebido com um churrasco no assentamento Antonio Conselheiro, em Mirante do Paranapanema. Ele não quis revelar onde ficou escondido durante esse período. “O presidente Lula prometeu que virá. Ontem mesmo liguei para seu chefe de gabinete (Gilberto Carvalho) para retomarmos as negociações. Devo ir a Brasília em breve para tratar disso”, disse.

Antes da condenação, Rainha havia se encontrado com Lula na inauguração de um assentamento na Bahia -onde, segundo o líder sem-terra, o presidente teria firmado o compromisso. Desde então, Rainha e prefeitos ligados ao MST davam como certa a presença de Lula na região no final de novembro. O Planalto, no entanto, não confirma.

As negociações haviam sido interrompidas por causa da decisão judicial contrária ao líder sem-terra, anulada anteontem por uma liminar no Superior Tribunal de Justiça (STJ). O líder do MST voltou a dizer que se considera perseguido pela Justiça do Pontal. “(A condenação) Foi uma aberração, tanto é que foi derrubada por uma liminar. A Justiça tem que entender que não somos bandidos, e sim trabalhadores que lutam pelo bem do povo”, disse.

Em meio à festa preparada por assentados e acampados da região, o coordenador disse que continuará a mobilização do MST no Pontal, mas descartou invasões. “Não falo em ocupação. Meu objetivo principal é definir a agenda do presidente Lula. Retomaremos as articulações políticas aqui, em Brasília, mas não deixando de mobilizar o nosso povo para buscar a reforma agrária”, afirmou.

A partir de hoje, Rainha inicia visitas a assentamentos e acampamentos espalhados pelo Pontal. Ele criticou a bancada ruralista do Congresso pela aprovação do relatório da CPI da Terra que qualifica as invasões de terra como crime hediondo, aumentando a pena dos envolvidos. “Não era de se esperar muita coisa da cabeça desse povo neofascista, neonazista. Só cabe isso na cabeça dessa bancada ruralista, um pessoal que tem 500 anos de atraso. Se pudessem, eles concentrariam todas as terras do país nas suas mãos”, afirmou.

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