A presidente do PT de Bauru, Estela Almagro, afirmou ontem que o impacto da cassação do mandato de José Dirceu é difícil de assimilar. Segundo ela, não houve surpresa na decisão, já que se tratava de um julgamento político. “Apesar do respeito que tenho pelo Legislativo realmente ser uma casa política, eu esperava mais bom senso dos deputados”, disse.
Para Estela, abriu-se precedente perigoso na democracia, pois nunca houve na história republicana a confirmação de cassação sem indício de prova. “Do ponto de vista jurídico e político foi uma afronta à inteligência, porque o Zé foi cassado pelo que ele representa para o PT e para o País”, afirmou. A petista ressaltou ainda que houve uma perseguição do ideal político defendido pelo ex-deputado.
Afinada com o discurso dos demais membros do PT, Estela afirmou que foram invertidos os ônus da prova, pois não se encontrou nenhum indício de esquema ilegal, de Dirceu, nem quando era ministro, nem como deputado. “Todo processo foi na verdade uma casa da mãe Joana”, disse.
Apesar da afirmativa de que o impacto não será facilmente assimilado, a dirigente afirmou que a legenda sai fortalecida do episódio, principalmente pelo sentimento de indignação que vem movendo os militantes em todo processo contra Dirceu.
A petista também afirmou que o partido não deixará que a crise, aliada à cassação de Dirceu, atrapalhe a performance da sigla nas próximas eleiçôes. De acordo com ela, o PT está pronto para o embate. “Estamos preparados. É só marcar o local para o duelo”, concluiu.
O vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores Energéticos do Estado de São Paulo, da Central Única dos Trabalhadores (Sinergia-CUT), Jesus Garcia, faz coro à presidente municipal do PT e afirma que a cassação foi política, pois, segundo ele, ninguém provou nada contra o ex-ministro. “Nada do que foi dito contra ele foi provado”, disse.
Garcia ressalta que Dirceu é uma figura importante para o PT e não deixará de participar das atividades partidárias. Segundo ele, o partido está bem organizado e estruturado, pronto para o embate em 2006. “Quem achava que ia desmontar o PT, se enganou. O PT está firme, bem estruturado e vai continuar no processo”, afirmou.