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PIB foi ‘decepcionante’ para FMI

Folhapress
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Brasília - Apesar de tecer diversos elogios ao Brasil, a número dois no comando do Fundo Monetário Internacional (FMI), Anne Krueger, disse ontem que o desempenho da economia no terceiro trimestre foi “decepcionante”. Mas o Fundo mantém suas projeções para o crescimento brasileiro neste ano (3,3%) e no próximo (3,5%). “O número do PIB foi realmente decepcionante. Mas, se olharmos para os componentes desse número, a situação não é tão negativa assim”, declarou Krueger, depois de reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A vice-diretora-gerente faz um giro pela América Latina e chegou anteontem a Brasília depois de dois anos sem visitar o País. Para Krueger, o comportamento da economia brasileira no trimestre passado se deve, em parte, à crise política. Além disso, ela avalia que são “flutuações” de curto prazo influenciadas por movimentos sazonais na agricultura e por causa dos elevados estoques da indústria - que precisavam ser reduzidos.

Com base nos dados de vendas, renda e emprego de outubro e novembro, o FMI avalia que o saldo do ano não destoará das previsões feitas pelo Fundo em setembro. “Apesar das flutuações de curto prazo, há razão para estarmos confiantes sobre as projeções para 2005-2006, desde que as atuais políticas sejam mantidas”, disse.

Questionada se uma eventual saída do ministro Antônio Palocci Filho (Fazenda) do governo traria preocupações para o FMI, a vice-diretora-gerente respondeu que a atual política econômica está na direção certa e poderá colher resultados ainda melhores se mantiver esse curso. “De tudo o que ouço, mesmo sem Palocci, a política econômica básica continua”, disse, ao acrescentar que Palocci é um integrante “importante” da equipe e “merece crédito pelo que tem feito”.

Na avaliação do Fundo, o Brasil tem uma “razoavelmente alta” relação entre a dívida pública e o PIB - ontem próxima de 50%. Krueger evitou, entretanto, opinar sobre o tamanho do ajuste necessário para reduzir essa relação. “Isso (superávit primário) é essencial para o Brasil sustentar o crescimento. O quão rápido reduzir a relação dívida/PIB é uma questão de escolha política. Alguém pode argumentar que o mais rápido seria melhor, pois haveria mais recursos para gastos sociais. Mas esse é um problema doméstico”, disse.

Krueger não deixou de destacar avanços realizados pelo governo Lula, tais como redução da pobreza e da vulnerabilidade externa. “O progresso que a economia brasileira teve desde minha última visita é impressionante.” Para o Fundo, isso é resultado da firme adesão brasileira a uma prudente política macroeconômica e do comprometimento do país com o programa de reforma estruturais. “Os benefícios dessa políticas começam a aparecer.” O Brasil esteve sob tutela do FMI desde 1998, quando pediu socorro após a crise russa, até o início deste ano.

O País ainda está sendo monitorado por ter uma alta dívida com a instituição. Na entrevista organizada pelo Ministério da Fazenda, Krueger foi acompanhada pelo secretário-executivo da pasta, Murilo Portugal.

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