São Paulo - A diretoria do Palmeiras adota critérios disciplinares diferentes para o técnico Émerson Leão e seus jogadores. Isso apesar de o treinador ter um histórico de confusões à beira do campo. Os atletas estão sujeitos a multas e até rompimento de contrato por expulsões - no caso de o acordo que deve ser fechado com Edmundo. Já o treinador não deve sofrer cortes salariais ou multas mesmo se for suspenso por longo tempo, período no qual não poderá dirigir o time no campo.
Ontem, o técnico Leão foi suspenso por 30 dias pela 4ª Comissão Disciplinar da Justiça Desportiva. Foi punido por supostas ofensas ao trio de arbitragem do jogo Inter x Palmeiras. Antes, os dirigentes palmeirenses já afirmavam que não haveria punições pecuniárias para ele. “Não faz parte do contrato. Não acho que haverá nenhuma revisão [por um eventual afastamento]”, explicou o vice-presidente do Palmeiras, José Cyrillo Jr.
O dirigente palmeirense explicou que o clube costuma multar jogadores que são expulsos em lances considerados desnecessários pela cúpula. Se houver suspensões curtas, até 30 dias, os atletas também não sofrem alterações contratuais. No caso de Leão, mesmo uma suspensão maior não vai afetaria seu bolso. “O técnico é diferente. Só não poderá ficar no banco”, ressaltou Cyrillo Jr., que pode conversar com Leão depois do julgamento no tribunal desportivo.
Anteontem, o treinador já dava a entender que não haveria mudanças financeiras caso fosse punido no STJD. “Se não alcanço a meta, não ganho nada. Se muda outra coisa, também não altera nada”, contou ele, que lembrou que já tinha sido expulso por cinco vezes. “É uma profissão de risco [treinador].”
Na súmula de Inter x Palmeiras, o delegado Paulo Ricardo dos Santos relatou que o técnico bateu na mesa e disse que sabia que o time alviverde seria roubado pela arbitragem. Por isso Leão, que afirma ser “mentira” o relatório, acabou sendo expulso. No início do ano, no São Paulo, foi suspenso por dois meses pela Justiça Desportiva por declarar que havia um complô da arbitragem para favorecer o Santos. Já tinha sido suspenso no tribunal esportivo outra vez em 2000, o que afetou sua estréia na Seleção.
Não é o mesmo tratamento dispensado ao atacante Edmundo, que está para ser contratado pelo clube. Com um histórico de indisciplinas, o jogador será demitido pela diretoria caso se envolva em confusões. Isso não será incluído em seu contrato, mas foi acertado em conversa entre o jogador e a cúpula do clube. “Mas o principal trabalho do treinador é durante a semana”, afirmou o assessor da presidência, Antônio Corccione, ao justificar o fato de Leão seguir imune perante a diretoria. “E ele pode estar no estádio.”
Não é só a falta de multas que diferencia o técnico e os jogadores. Por contrato, Leão receberá premiação se o clube se classificar para a Libertadores. Para os jogadores, deve haver bicho, mas não há nada certo. “Se conseguirmos, o Palaia [diretor do futebol] e o presidente [Affonso Della Monica] vão fazer algo por nós. Isso é bem organizado no clube”, disse o goleiro Marcos, que é capitão do time. O meia Marcinho alega que nada lhe foi informado, mas também afirma acreditar que haverá gratificação.