Apontada por grande parte dos alunos como uma das disciplinas mais difíceis de se compreender, a física exige experiências práticas. É a conclusão a que chegou André Angotti, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) que pesquisa métodos de ensino da matéria e que participa do 5.º Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências (Enpec), que será encerrado hoje em Bauru.
Para Angotti, é preciso que os alunos pratiquem no dia-a-dia o conhecimento adquirido em sala de aula. “Não basta acumular informações e fórmulas. É importante compreender como funciona aquilo que está sendo demonstrado de maneira teórica”, diz.
Angotti também defende o uso de novas tecnologias, como computadores e Internet, para auxiliar no entendimento da disciplina. “A partir do computador, é viável a demonstração de como funciona uma usina hidrelétrica, por exemplo, e algo difícil de se mostrar no quadro negro ou no papel”, comenta.
Apesar das boas perspectivas que o uso da tecnologia pode trazer para o ensino da ciência, o professor de física Amílcar Costa acredita que a prática é a forma mais eficiente de os alunos compreenderem uma disciplina tão complexa como a física. “A prática facilita a memorização. Se o aluno aplica as teorias, ele dificilmente esquece”, ressalta ele que dá aulas em uma escola particular de Bauru.
De acordo com Costa, as escolas e universidades devem disponibilizar recursos e parte da grade curricular para que os alunos possam fazer experimentações científicas. O professor conta que já desenvolveu com seus alunos um aquecedor solar de garrafas pet e carrinhos feitos a partir de ratoeiras. “Os subsídios teóricos são essenciais, mas sem a prática é difícil aprender. É como uma pessoa que sabe o que deve fazer para nadar, mas nunca entrou na água”, exemplifica.
Além de compreender de que maneira as fórmulas da física podem ser aplicadas na prática, tanto Angotti quanto Costa reforçam que é importante fazer a interdisciplinariedade. Ou seja, relacionar a física ao entendimento das outras disciplinas.
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Encontro de ciências
O 5.º Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências (Enpec), organizado pela Associação Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências (Abrapec), reuniu em Bauru mais de 900 pesquisadores do Brasil e de diversos países da América Latina.
De acordo com o coordenador do evento, Roberto Nardi, Bauru foi escolhida sede do evento, que acontece a cada dois meses, por seu grande potencial de pesquisa científica. “Muitas pesquisas sérias estão sendo desenvolvidas na cidade, o que atrai as atenções dos pesquisadores para Bauru”, comenta.
O evento, que teve início na segunda-feira e será encerrado hoje, debateu os métodos de ensino aplicados nas áreas das ciências exatas e biológicas para propor mudanças na metodologia do ensino.
O pesquisador colombiano Rómulo Gallego Badilho, professor da Universidade Pedagógica Nacional de Bogotá, ressalta a importância do encontro. “Há grandes pensadores aqui debatendo o futuro da educação no Brasil e na América Latina. Por isso, vamos colher bons frutos”, afirma.