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Zinsly critica falta de apoio de empresários ao Noroeste

Rodrigo Allegro
| Tempo de leitura: 9 min

Após conquistar dois acessos consecutivos e o título da Copa Federação, que assegurou uma vaga na Copa do Brasil, o Noroeste vive um momento mágico e talvez um dos melhores da sua história, no que diz respeito à estrutura e planejamento dentro e fora do campo.

O empresário bauruense e presidente do Norusca, Damião Garcia, um apaixonado pelo clube, é o responsável por esse resgate, em tão curto espaço de tempo, já que bancou sozinho, e não foi pouco, todo o processo de reestruturação de um dos clubes mais tradicionais do Estado.

Mas, como o próprio presidente Damião Garcia diz: “Sem o Celso (Zinsly) nós não teríamos desenvolvido todo o planejamento e montado essa estrutura que nos trouxe de volta os títulos e o respeito”.

Celso Zinsly, nesses três anos à frente do clube, foi criticado, questionado e mesmo diante de muita pressão não esmoreceu e provou que estava no caminho certo ao priorizar as categorias de base do Alvirrubro.

Nascido em Gália, mas desde criança acostumado a torcer pela ‘Maquininha Vermelha, junto com seu pai e amigos, Zinsly, que também é radialista, não abre mão de gerenciar com pulso firme, um clube que estava prestes a fechar e hoje em dia é referência em administração esportiva.

O dirigente noroestino concedeu uma entrevista ao Jornal da Cidade, onde falou sobre o futuro do Noroeste, contratações, sua nova função no clube, erros e acertos e sobre futebol, sua grande paixão, depois do seu filho Vitor, a quem Zinsly pede desculpas por se achar omisso algumas vezes, em virtude do trabalho diário e estressante. Leia a seguir os principais trechos da entrevista.

JC - Como surgiu a sua carreira como dirigente esportivo e sua ligação com o Noroeste.

Zinsly - Como torcedor, desde os cinco anos, mas como dirigente eu comecei em 1997. No mesmo ano, eu fui presidente interino de uma comissão à frente do clube, em seguida, eu deixei essa função de dirigente.

JC - Após essa passagem é que você começou sua carreira como radialista esportivo?

Zinsly - Exatamente. Após receber um convite do Jota Martins, repórter da rádio 710, eu assumi, como convidado da então Rádio Bandeirantes, o cargo de comentarista esportivo. Em 1998, eu montei uma equipe, fiz curso de radialismo e confesso que eu sinto muita saudade dos tempos de rádio.

JC - E os primeiros contatos com o atual presidente, Damião Garcia, quando e como surgiram?

Zinsly - Em 2002, após assistir a uma partida do Noroeste, na Série A3, e presenciar o péssimo momento que o clube atravessava dentro e fora de campo. Foi então que eu procurei o seoDamião (Garcia) para expor algumas idéias e planos. Logo após o pedido de ajuda ao Noroeste, aconteceu uma reunião em que estavam presentes eu, o presidente, o empresário Érico Braga e o Toninho Gimenez (dirigente do Noroeste e também empresário). Em seguida, eu fui convidado pelo seu Damião para trabalhar nesse novo desafio de reestruturar o clube.

JC - Você teria atingido todos esses resultados em apenas três anos se não tivesse o dinheiro do presidente Damião Garcia?

Zinsly - Claro que não. Mas todo mundo só pensa nisso. Lógico que o dinheiro ajudou, mas as pessoas têm que entender que não é só dinheiro que traz resultados e respeito. O Noroeste foi campeão da Copa Federação, que lhe valeu um lugar na Copa do Brasil, com a folha de pagamento mais baixa entre todos os clubes. Além do mais, o Noroeste não paga mais do que ninguém e sim paga em dia os seus compromissos.

JC - Na medida em que o Noroeste ganha mais títulos e prestígio, dentro e fora do campo, a probabilidade do presidente Damião Garcia seguir sozinho à frente da presidência do club, aumenta ou diminui?

Zinsly - Diminui assustadoramente. E o pior é que as pessoas não se dão conta. Eu converso com torcedores, empresários e, infelizmente, a impressão que fica é que o seo Damião Garcia não precisa de ajuda. Ele tem dinheiro, é bem sucedido, então porque eu irei ajudar. Isso nada mais é do que transferir as responsabilidades. Vai chegar um momento em que o presidente se cansará disso tudo. Quando isso acontecer, é que essas pessoas (os empresários) vão entender o quanto ele era importante e precisava de ajuda.

JC- Mas isso não mudou em nada. Então, na sua opinião, qual seria o motivo pela falta de apoio, acomodação ou opção?

Zinsly - Não mudou uma vírgula até agora. Eu tenho certeza que é acomodação. Mas para não cometer nenhuma injustiça, o nosso único parceiro, desde o início, é o empresário Érico Braga, que colabora financeiramente, além de ajudar através do Grupo Cidade, na compra de placas e camarotes no estádio. O Érico (Braga) é um empresário que acredita no clube. A Flag também foi nossa parceira, mas por problemas internos não está mais conosco.Eu gostaria de aproveitar a oportunidade, em nome do seo Damião e do meu, para agradecer muito a Flag durante esse período em que esteve ao nosso lado. Se houvessem mais dez Éricos e dez Flags as coisas seriam mais fáceis.

JC - O que os empresários de Bauru, então, alegam para vocês?

Zinsly - Não alegam. É assim que funciona os contatos. Os empresários dizem que vão estudar com o departamento financeiro de suas empresas uma forma de ajudar o clube. Aí eles falam, pode deixar, no ano que vem nós vamos ajudar.Eles acham bonito o Noroeste ser falado no País, mas não compram uma placa ao redor do campo.

JC- Você acaba de nomear um novo gerente de futebol para o clube, o Adriano Coelho, isso seria um sinal que você pode deixar o Noroeste?

Zinsly - Olha, eu já pensei em deixar o clube algumas vezes. A minha vida mudou muito, as cobranças são enormes e eu acabo sendo até omisso no convívio com o meu filho (Vitor), já que por força do trabalho, eu deixo de manter uma relação mais próxima com ele. Hoje em dia, eu não sou mais o Celso Zinsly e sim o Celso, do Noroeste. Eu já cumpri o meu papel como gerente, ajudando o clube nessa volta à elite, mas deixar o seo Damião sozinho, após tudo o que ele fez, seria desleal da minha parte. Agora, com o novo gerente de futebol a responsabilidade fica mais dividida e eu vou conseguir desempenhar outras funções, entre elas fortalecer cada vez mais a marca Noroeste, além de auxiliar e ficar mais próximo do presidente.

JC - Mudando de assunto, após tanto sofrimento, o torcedor noroestino pode acreditar que o clube não será rebaixado novamente. Falar após o campeonato é fácil, mas antes do início, qual a probabilidade do Norusca sofrer o rebaixamento.

Zinsly - O Noroeste vai disputar o Paulistão e a Copa do Brasil com um conceito de time pequeno para os adversários, mas com uma força e união de time grande. O campeonato será difícil e curto, com jogos às quartas e domingos, mas podem ter certeza que mantendo um planejamento sério e a base sendo do clube, nós iremos dar muito trabalho nesse Paulista.

JC- Mas somente com os jogadores das categorias de base, ou virão reforços de peso?

Zinsly - Claro que os reforços virão. Já chegaram cinco novos atletas nesta semana e mais novidades surgirão. Nós queremos jogadores de grupo, batalhadores, que possam resistir à maratona de jogos e não medalhões, que acabam tumultuando um ambiente formado por homens que aprenderam a gostar e respeitar a grandeza do Noroeste. Isso, o presidente e eu não abrimos mão.

JC - O Gileno seria um desses jogadores que não respeitaram a tradição e história do Norusca?

Zinsly - Com certeza. Desse jogador eu não gosto nem de falar. Eu não quero em hipótese alguma o seu mal como pessoa, mas teve uma postura de mercenário, que me deixou estarrecido.

JC - Fale mais desse momento conturbado entre o Gileno, até então ídolo da torcida, e você ?

Zinsly - Para se ter uma idéia, na véspera do jogo decisivo contra o Juventus, que valia o título da Série A2, o Gileno me pediu uma quantia de dinheiro para jogar numa hora totalmente absurda e inoportuna. Ele era uma pessoa dentro do clube e outra fora dele. O Gileno é muito mal orientado e quem acreditou nele fui eu, que o trouxe para jogar aqui. Eu sei que em alguns momentos o Gileno ajudou o Noroeste, mas o que mais me entristeceu foi a falsidade e falta de profissionalismo.

JC - Então, nesse episódio, foi um erro seu como dirigente, já que você poderia ter afastado o atacante do Noroeste?

Zinsly - Todos nós cometemos erros e eu luto todo dia para não cometê-los. Mas eu confesso que nesse dia eu errei, já que eu deveria ter colocado o Gileno para fora do hotel e da vida do Noroeste.

JC - Alguns craques como o Zico, Sócrates afirmam que o futebol só terá credibilidade quando ex-jogadores estiverem ocupando os cargos de dirigentes ou presidentes de clubes e federações. Qual a sua opinião sobre isso?

Zinsly - Eu respeito, mas não concordo. Hoje, para você ser um bom dirigente ou administrador, o teu histórico está além de ter sido jogador ou não. Eu faço um comparativo. O crítico de cinema ou um comentarista esportivo, para serem bons, não precisam serem grandes cineastas ou craques.

JC - O que te levou a priorizar as categorias de base do clube, no segundo semestre, ao invés de manter o time vice-campeão da A2, com jogadores mais experientes e rodados?

Zinsly - Muitos me chamam de arrogante, casca grossa e polêmico, mas, na verdade, eu não abro mão de seguir uma proposta de trabalho. Desde o primeiro dia em que eu assumi a gerência do Noroeste, eu falei para o seu Damião que eu aceitava o convite, mas que um dia o Noroeste seria exportador de jogadores e não comprador. Se eu não apostasse nessa linha de trabalho e lutasse desde o começo para transformar um clube falido em clube-modelo, com alojamentos decentes, essa safra de jogadores não existiria e o Noroeste seria um time de aluguel.

JC - Como foi receber as críticas vindas das arquibancadas e da imprensa.

Zinsly - Foi difícil e muito triste, mas eu tenho que ser profissional e seguir em frente. Eu não posso errar de jeito nenhum. Eu não tenho mais lazer, férias, mas eu faria tudo de novo. Eu não abro mão de seguir a linha de proposta do clube.

JC - Qual foi a maior emoção que você sentiu à frente do Noroeste nesses três anos?

Zinsly - Teve algumas. O jogo decisivo contra o XV de Piracicaba, que valeu o primeiro acesso, foi demais. Ver essa garotada brilhar na Copa Federação. Mas um torcedor noroestino, chamado Ricardo Suzuki, que mandou uma carta com R$ 5,00 dizendo que era o máximo que ele podia contribuir com clube foi emocionante demais. Se todos tivessem esse tipo de atitude, tudo seria mais fácil e justo.

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