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Mercadante e Marta lançam disputa

Folhapress*
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - Apesar dos apelos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que não se precipite uma disputa eleitoral no partido, a ex-prefeita Marta Suplicy e o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante, se lançaram ontem na disputa ao governo de São Paulo. Embora concordem com as ponderações de Lula de que uma prévia poderá deixar seqüelas, os dois deixaram evidente a disposição de brigar pelo voto dos militantes petistas.

Ontem, no encontro estadual do partido, a data da prévia foi fixada para maio. Até lá, a cúpula do partido tentará construir um consenso. Na quinta-feira, ao conversar com dirigentes do PT de São Paulo, Lula tinha discordado até mesmo da fixação da data, mas não pôde evitá-la. “Não tenho nenhuma motivação para desistir. Estou sem mandato e tenho garra. Perdi a eleição (de 1998) por 0,4% dos votos por manipulação de pesquisa. Por que duvidaria agora?”, pergunta Marta, que aponta “obras concretas” como uma de suas credenciais para concorrer ao governo do Estado.

Mercadante, por sua vez, disse que compartilha com Lula da preocupação com as conseqüências de uma disputa interna no PT. “Se for possível construir o consenso, melhor. O presidente tem essa preocupação e eu também”, afirmou Mercadante. Mas listando números sobre o Estado de São Paulo, o senador disse que terá orgulho de concorrer se essa for a decisão do militante. Mercadante disse apostar na maturidade do partido para evitar um confronto interno e afirmou que “o presidente pode ajudar muito nisso”.

Perguntado sobre a prévia, o líder do governo no Senado, no entanto, ressaltou: “Se não for possível um consenso, vamos”. O presidente do PT, Paulo Frateschi, disse que, a pedido de Lula, investirá na articulação de um consenso.

Ontem, na abertura do encontro estadual do PT, ele foi o porta-voz da preocupação do presidente. “Temos que dar sustentabilidade ao governo e ajudar o presidente. Não podemos nos dividir. Ele (Lula) perguntou: ‘Em que essa disputa me ajuda?’.” Segundo Frateschi, Lula tem sugerido que uma disputa interna seja evitada em todo o País.

No Rio Grande do Sul, por exemplo, já se desenha um acordo para que não haja prévia. Nas conversas, Lula tem lembrado disputas traumáticas - como as de Santos e Diadema - para pedir que esses confrontos sejam evitados pelo PT. Apesar do apelo, o próprio líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia, duvidou ontem da possibilidade de um acordo: “Não quero dizer que está vaticinado, mas que haverá...”.

Dirceu

O ex-deputado José Dirceu falou que acha que é possível evitar a prévia, mas não concorda que isso divida o partido. â€œÉ a mesma coisa que dizer que a eleição em São Paulo divide o Estado”, disse. Dirceu discordou de Mercadante por ter defendido sua saída da chapa do Diretório Nacional do PT, mas afirmou que não guarda mágoas do senador. Dirceu, no entanto, não reafirmou seu apoio já declarado à candidatura de Mercadante. “Apoiei e não me arrependo. Agora, não acho correto, na minha posição, tomar partido”, disse.

*Catia Seabra

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