As implicações causadas pelos prédios verticalizados entrarão na pauta do Plano Diretor do município somente quando as discussões chegarem até as regiões Sul e central da cidade. Segundo a coordenadora do Plano, Maria Helena Rigitano, o assunto ainda não foi debatido porque a prefeitura está ouvindo primeiro os moradores dos bairros periféricos de Bauru, onde a questão da verticalização não está sendo levantada como problema pela população. “Bairros como o Jardim América, Europa e Panorama são os que concentram maior número de edifícios. Embora ainda não causem problemas, eles já começam a despertar nossa atenção”, afirma Rigitano. Próximo ao Bauru Shopping e à avenida Nossa Senhora de Fátima também é possível encontrar um grande número de obras verticais.
Segundo a coordenadora, uma determinada área pode ser prejudicada a partir do momento em que três construções verticais ocupam a mesma quadra. A alta concentração de prédios numa mesma região pode ocasionar problemas no abastecimento de água e coleta de esgoto, aumento do fluxo de automóveis e sombreamento das redondezas, pois a luz do sol é barrada pelas torres.
A lei que disciplina o processo de verticalização (Lei de Zoneamento) do município é de 1982, mas recebe alterações através de emendas. O Plano Diretor de 1996 não alterou a legislação antiga, mas previu que ela deveria ser revista, o que deverá ocorrer a partir do novo Plano. “A lei atual permite a construção de edifícios em quase todos os bairros, autorizando uma aglomeração maior na região central e menor nas periferias”, explica Rigitano. As exceções são o residencial Paineiras, Samambaia, Shangri-lá e demais loteamentos fechados. O Jardim Estoril II e o Jardim Dona Sarah também não permitem que sejam erguidos edifícios por conta de regras elaboradas pelo loteador dos empreendimentos.
Já as áreas próximas ao aeroporto são disciplinadas por lei estadual, que restringe a altura máxima dos prédios. “Quanto mais perto da cabeceira da pista, menor deverá ser a altura do empreendimento imobiliário”, esclarece Rigitano ao lembrar que uma loja de brinquedos próxima ao aeroporto tentou ampliar suas instalações mas foi proibida por conta da lei estadual.
De acordo com a coordenadora do Plano Diretor, nas próximas semanas deverão ser agendas reuniões para as áreas Sul e Centro da cidade. “Assim que encerrarmos as discussões nos bairros periféricos vamos nos articular para ouvir as sugestões dessas regiões”, promete.