Regional

Expansão de Botucatu

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 2 min

Botucatu - A cidade de Botucatu (100 quilômetros de Bauru) tem bons ares também para estimular grandes empreendedores, homens de negócio que se sobressaem ao seu tempo. No período de grande apogeu do café, final do século 19, se destacou o conde de Serra Negra Manuel Ernesto da Conceição, que não se conformou em apenas produzir e criou uma empresa de venda em Paris. O engenheiro ferroviário Manfredo Antonio da Costa criou em 1907 a Companhia de Energia Elétrica Botucatu. Rapidamente, ele expandiu seus negócios conseguindo as concessões de prestação de serviço para mais três municípios próximos. Conforme o pesquisador de história João Carlos Figueiroa, 61 anos, Costa montou o primeiro sistema integrado de distribuição de energia, algo até então inédito no Brasil. Em uma tacada ambiciosa em 1912, o empresário cria a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) com base na estrutura da Companhia de Energia Elétrica Botucatu. “Os investimentos (CPFL) são todos dessa região com recursos da família Costa, Cardoso de Almeida, Souza Meireles, Dodsworth e Cia, uma casa de materiais elétricos do Rio de Janeiro, onde Costa ia comprar. Em 1925, ele vende para os americanos”, relembra.

O monopólio do fornecimento de energia elétrica foi quebrado pelo empreendedor Petracha Bachi, quando em 1937 a CPFL encerra suas atividades em Botucatu. Porém em 1940, Bachi morreu e a CPFL volta em 1947. “A CPFL ficou pelo menos 14 anos deixando funcionar sem investimentos. Nas ações da Câmara Municipal dizia-se que a luz tinha uma tensão tão baixa que precisava acender vela para iluminar”, ressalta Figueiroa.

O pesquisador lembra que o primeiro tropeço da economia botucatuense ocorreu com uma geada em 1918 que dizimou cafezais; o segundo foi a quebra da bolsa de valores de Nova Iorque, em 1929; o terceiro, nos anos 40 e 50, foi a falta de energia elétrica, impedindo a expansão de indústrias na cidade. “Eu atribuo a esses três fatores o fato da gente ter perdido a liderança regional”, ressalta.

Hoje, o cenário econômico do município é outro. São 2.810 estabelecimentos comerciais, que geram 5.072 empregos. As indústrias Caio-Induscar, Neiva-Embraer, Duratex-Duraflora, Eucatex, Staroup e Cooper Confecção propiciam 5.870 postos de trabalho, conforme dados da Secretaria Municipal de Indústria e Comércio. No setor de agronegócio, Botucatu apresenta uma área de 130 mil hectares destinada à agricultura, com 1.125 propriedades rurais. Cerca de mil pessoas vivem da agricultura familiar (trabalham e moram em sítios). O setor emprega cerca de seis mil trabalhadores e movimenta R$ 300 milhões por ano. O segmento de alimentos orgânicos está em fase de implantação no município. A cidade já trabalha para a criação da Associação de Produtores Orgânicos, com destaque para a produção e comercialização de horticultura, leite e derivados, frutas e cereais. A prefeitura investe na implantação das hortas comunitárias, promovendo a agricultura sustentável.

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